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O Príncipe de todos os portugueses

por Causa Real, em 07.06.17

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No argumentário vasto do movimento monárquico consta a possibilidade, que só a Instituição Real confere, de criar uma identificação genuína entre os cidadãos e a Família Real, potenciada pela circunstância dos cidadãos verem os membros da sua Família Real crescerem, geração após geração.

Quando alguém nasce já tem um Príncipe com o qual se identificar e com quem pode crescer.

Olha-se para aquela Família e percebe-se que vivem as mesmas alegrias e anseios de qualquer famíla “comum”. Acabam por fazer parte de casa.

 

A identificação com o Rei, e com quem lhe sucederá, é absolutamnete natural e baseada num puro afecto de base familiar. A Família Real é a família de todos.

A vantagem é clara: a população ganha estima pessoal pelo seu Chefe de Estado, não tendo que recorrer a eleições para escolher o que já está escolhido desde sempre e permanentemente escrutinado pelo afecto verdadeiramente genuínio (não interesseiro, nem esporádico).

 

Este fim-de-semana, na Sé de Braga, tivemos a oportunidade de vivenciar esta familiaridade. O Príncipe da Beira, S. A. R o Senhor Dom Afonso de Santa Maria,  foi entronizado na Real Confraria de Santa Maria de Braga, criada na altura do seu Baptismo e com o único propósito de o servir, enquanto Príncipe que é um “servo dos servos”.  

A experiência de participar nesta cerimónia foi emocionante. Na verdade, quando a teoria passa à prática no plano das emoções, e tudo o que se relaciona com a Pátria está envolto em emoção, ficamos felizes e arrepiados. Ver o nosso jovem Príncipe, agora com 21 anos, assumir as suas responsabilidades na sua Confraria, transportou-nos para o dia em que foi Baptizado, 1 de Junho de 1996.

Recordo-me bem desse dia e da esperança que trouxe a todo o país. Eu, com 12 anos, senti a História renascer, o acordar de uma Nação maltratada por quase um século de três repúblicas. Esperança é dizer pouco. Esse dia foi e é fundamental para a minha crença num país que é capaz de sobreviver se souber aproveitar a sua Família Real.

Aquele momento na Sé de Braga, vivido neste 3 de Junho de 2017, fez-me sentir que de facto o Príncipe é de todos nós, porque do Berço à bravura dos 21 contou com o nosso olhar, estima, afecto e esperança. Continuará a contar.

Assim faz sentido dar a vida pela Pátria e por quem a representa com a legitimidade do afecto dos Portugueses.

 

Diogo Tomás Pereira

Membro da Comissão Executiva da Causa Real

 

 

 

 

 

 

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A Liberdade por cumprir

por Causa Real, em 25.04.17

A Liberdade não é um valor próprio ou exclusivo detido por alguma força ideológica. A Liberdade é um valor intrínseco à própria natureza humana. Somos concebidos, logo somos livres.

Porém, é forçoso reconhecer que, muitas vezes, foram homens movidos pelas suas paixões ideológicas que libertaram sociedades presas a outras realidades ideológicas castradoras da Liberdade. O perigo, que tantas vezes se repetiu, foi sujeitar os “libertados” a uma “nova” tirania.

É preciso uma abnegação extrema para fazer e depois entregar à Verdade. No 25 de Abril tivemos alguns assim, mas não todos.

 

Vivemos num clima, desde esse dia de 1974, em que é muito difícil pensar diferente e conseguir chegar mais longe ao ponto de mover os cidadãos. Existe mesmo uma ditadura do pensamento único. Quem não está dentro, é marginalizado e a vida política torna-se-lhe muito difícil.

As manifestações deste poder, que parece considerar-se revestido de uma superioridade moral, blindou-se desde cedo, mesmo em nome da “liberdade”. A verdade é que essa “liberdade” limitou as nossas escolhas e a percepção, principalmente das novas gerações, do que é a Pátria e o seu valor intemporal.

Veja-se, por exemplo, a alínea b) do artigo 288º da Constituição da República Portuguesa. Este preceito constitucional impõe a “forma republicana de governo” sempre que se fizer uma revisão constitucional. A assembleia constituinte entendeu, em nome da “liberdade”, que aos portugueses não deve ser dado o direito de escolherem o tipo de regime em que querem viver. Liberdade?

Em boa hora, um grupo de bons cidadãos levou ao Parlamento uma petição para substituir esta fórmula por “forma democrática de governo”, mas os “senhores”, impositores do pensamento único e guardiões do seu conceito de liberdade, rejeitaram a proposta, eternizando uma lei magna coxa e contrária à democracia.

 

O regime, republicano, que nos foi imposto, obriga-nos a aceitar um chefe de estado filho de um qualquer berço ideológico. Alguém que leva para a presidência uma visão do mundo que pode não ser, na maior parte das vezes não é, correspondente à essência do ser português.

O modelo escolhido para a chefia de estado, cargo que existe para servir e representar todos, não é respeitador da Liberdade, porque impõe alguém escolhido por uns poucos, com anseios ideológicos, para representar todos. Aqui ficou por cumprir Abril.

A ausência de um poder estável, hoje não temos qualquer órgão do Estado que esteja livre da instabilidade, é uma ameaça permanente à Liberdade e democracia. Não temos árbitro do jogo político, porque o árbitro é declaradamente de uma das equipas.

 

Nem todos os cargos políticos são escolhidos em eleições e isso não viola a democracia, pois a sua vitalidade, a sua sobrevivência, depende de um “lugar” que seja inviolável. Esse “lugar” é onde está cada um dos portugueses, venha de onde vier. Esse “lugar” é aquele ocupado pelo Rei dos Portugueses.

 

Abril só se cumprirá quando se sacralizar um poder estável, não ideológico, com a legitimidade histórica que lhe permita ser o guardião da Liberdade e da democracia.

 

Diogo Tomás Pereira

Membro da Comissão Executiva da Causa Real

 

 

 

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 O deputado socialista Ascenso Simões reconheceu na sua coluna da passada quarta-feira aqui no jornal i que a petição que por estes dias decorre online para a inclusão do Chefe da Casa Real Portuguesa no Protocolo de Estado “(…) não se apresenta recheada de problemas políticos ou institucionais, uma vez que D. Duarte é conhecido como herdeiro da coroa” e que “(…) o protocolo do Estado deve acomodar uma norma que permita aos mais altos representantes do Estado conferirem a D. Duarte, por tudo o que representa, uma dignidade única em circunstâncias especiais? A nossa opinião vai no sentido positivo.” Tirando a menorização dos monárquicos que pelos vistos Ascenso Simões execra, estamos de acordo com tudo o mais no seu artigo e é precisamente no sentido que afirma que a petição surge. De facto esta iniciativa não pretende "monarquizar" o regime republicano que nos coube em azar, e muito menos "republicanizar" a Instituição Real como receiam alguns monárquicos. A petição não pretende atribuir aos Duques de Bragança nenhum lugar na lista de precedências existente, essas constam do art.º 7.º da Lei e não se lhe pede alteração. O que se pede é que o representante dos reis de Portugal, quando convidado para qualquer cerimónia, nela tenha o estatuto honroso e digno, de "convidado especial", estatuto que não altera a lista das precedências do Protocolo. Implica apenas, e não é pouco, uma especialíssima relevância a conceder a um convidado que é, pelo que na verdade representa, “especial”. 

De resto as Reais Associações são por natureza e vocação uma “mixórdia”, no sentido de “misturada”, como lhes chama Ascenso Simões. Representam grupos heterogéneos, transversais, e por isso, talvez elas possam ser vistas pelos seus detractores como “mixórdias”. De facto as Reais Associações assentam na diversidade de que é feito o nosso país, nas várias regiões em que estão inseridas. Elas não se dirigem a um grupo em particular, facção ideológica, classe social ou elite cultural, antes se dirigem a todos os que não se conformam com a república a que chegámos em 1910 e que gostariam ver restaurados os valores permanentes da nossa portugalidade. Ora acontece que esses valores não sendo propriedade de ninguém, são seguramente protagonizados pelo Senhor Dom Duarte.
Finalmente, os defeitos que atribui aos monárquicos como eu, não nos impede de querermos ser cada vez mais e melhores. É por isso que estamos a trabalhar todos os dias.

 

Publicado originalmente aqui

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Uma mulher ao serviço de um povo

por Causa Real, em 06.02.17

 

Hoje é um dia muito especial para várias nações: Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Jamaica, Barbados, Bahamas, Granada, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Tuvalu, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Belize, Antígua e Barbuda e São Cristóvão e Nevis.

O que une todos estes países? O seu chefe de estado: a Rainha Isabel II.

 

Hoje, dia 6 de Fevereiro de 2017, a Rainha Isabel II torna-se a monarca viva há mais tempo no trono em todo o mundo.

Esta efeméride, com dimensões à escala planetária, diz muito deste “sacerdócio” que “Lilibet” assumiu aos 25 anos, após a morte prematura do pai. Parece que todos nós, independentemente da nacionalidade, fomos habituadas a ver Sua Majestade não só como Rainha dos Britânicos, mas também como se fosse a “nossa rainha”.

 

O seu reinado tem acompanhado várias gerações que a reconhecem como legítima representante dos seus povos. Legitimidade que se fundamenta no seu sangue e no Parlamento, mas, como se não bastasse, também na forma exemplar como tem exercido a sua missão.

 

Pessoa integra, com desprezo pelo escândalo e mexerico, e com uma determinação extraordinária no cumprimento do dever. Dedicou toda a sua vida, que passou por várias amarguras, ao serviço, aceitando desde cedo o testemunho que o pai lhe passaria. Podemos questionar se tinha outra alternativa. Tinha. O seu tio teve.

Isabel II quis o trono, qual cadeira de serviço, sabendo que enfrentaria as maiores dificuldades. Não as negou. Tinha um povo para defender e servir.

Estas características, a sobriedade e dedicação, fascinam homens e mulheres de todas as idades e tempos, de todas as partes do mundo.

 

É provável que aqueles que estão condenados a viver em república, como nós, sintam mais afinidade com esta Rainha, uma vez que nos seus países não conseguem ter uma referência de estabilidade e um reduto moral, porque todas as instituições estão sujeitas ao desmando da “oligarquia” política.

A falta que nos faz uma Rainha assim…

 

Decidiu passar o dia na residência de Sandringham, onde o pai, George VI, morreu prematuramente há 65 anos. É assim que faz sempre. Como a Casa Real recordou: o dia “não é de festejos”.

É esta humanização que torna a “chefia de estado Real” tão próxima dos cidadãos. O dia da morte de um familiar, principalmente quando prematura, é sempre recordado com saudade em qualquer família. Na Família Real Britânica também é assim.

Naturalmente que há festejos um pouco por todos o país para celebrar o Jubileu de Safira da monarca, como as tradicionais salvas de canhão, mas a marca mais forte deste dia é o amor de pai e filha, inseparável do amor pela pátria, eternizado pelo belíssimo colar de safiras que George VI ofereceu a “Lilibet” no seu casamento (pode ser visto na fotografia oficial do Jubileu).

 

Diogo Tomás Pereira

Membro da Comissão Executiva da Causa Real

 

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Portugal também tem um Rei!

por Causa Real, em 04.12.16

 

A visita dos Reis de Espanha, como de qualquer Casa Real, a Portugal causa sempre um impacto mais forte e afectivo do que a vinda que qualquer outro Chefe de Estado. Porque será?

Julgo que a Instituição Real – a Família Real, se afirma mais facilmente como um referencial da história, da cultura e da identidade de um Povo. E que este capital simbólico que já de si propicia afectividade, ganha hoje relevância ainda maior pela crise por que passam os sistemas político-partidários de todas as democracias. A corrupção e a crise de responsabilidade das classes dirigentes tem afastado progressivamente as novas gerações de uma participação mais activa na vida pública e aberto espaço para todos os populismos e radicalismos que emergem perigosamente em todo o Mundo.
Daí a necessidade de assegurarmos, como no caso da Instituição Real, elementos de agregação e de identidade, perenes, estáveis, indiscutíveis – que existam para além do sistema político e partidário e que gerem um vínculo directo com a Nação.


Os Reis dão, por outro lado, estabilidade, continuidade e notoriedade ao Estado. Ninguém saberá dizer o nome do Presidente da República italiano ou do Chanceler alemão, mas todos conhecem os Reis de Espanha ou a Rainha de Inglaterra. E esta pequena diferença, faz muito num mundo globalizado e mediatizado, onde as influências económicas e políticas exigem o conhecimento e o reconhecimento que é dado pelos valores da continuidade e da notoriedade.


Claro que podíamos também dizer que o Rei é suprapartidário – isento portanto em todo o jogo político da governação e, por isso mesmo, mais capaz de fazer a sua regulação como exigem a maioria das democracias constitucionais. Não é árbitro numa disputa onde já foi jogador de uma das equipas e isso dá-lhe a distância para decidir sem reservas passadas ou premeditações futuras.
Mas esse não é, hoje, o meu ponto. Nem esse nem o da estabilidade que o Rei proporciona permitindo que a governação e o desenvolvimento social e económico se cumpram – não é por acaso que a OCDE destaca que 7 dos 10 Países mais desenvolvidos do Mundo são Monarquias.
E não é esse o meu ponto, porque venho falar de um Rei que não é Chefe de Estado. Mas que poderia continuar a ser Rei dos Portugueses – referencial da nação que somos e que extravasa muito o nosso território para abraçar todas as diásporas que fizemos ao longo da história, que desenvolveram uma cultura e uma língua únicas, presentes em todo o Mundo.


Portugal tem um Rei, uma Família Real de que se poderia socorrer para fazer valer esse Património e essa Cultura, proporcionando novos desígnios de um mundo Português que na sua essência representa uma centralidade e uma estratégia geopolítica muito mais promissoras.
Claro que tudo se cumpriria melhor se este Rei dos Portugueses fosse Rei de Portugal. Mas para os que ainda vivem do preconceito de uma República que não consegue servir e qualificar a democracia constitucional que mais recentemente escolheu como forma de governação, fica o desafio de pensaram se temos o direito de dispensar o valioso papel que, mesmo em República, poderia ser exercido pelo Rei dos Portugueses!

 

António de Souza-Cardoso

Presidente da Causa Real

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Foi com grande alegria que os Portugueses tomaram conhecimento da reposição do feriado do 1º de Dezembro!

Tenho afirmado que sem a Restauração de 1640 a nossa história ficaria muito pobre, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa não existiria e hoje seríamos apenas uma região do país vizinho, a reclamar a nossa independência.

 

Nas visitas que a minha Família e eu realizamos por todo o País, convidado pelas autarquias e outras comunidades locais que tão amigavelmente me recebem, e nas minhas deslocações ao estrangeiro, comprovo que os representantes dinásticos das Famílias Reais constituem um factor de identidade, valorizado pelos povos, que no caso português inclui também um sentimento de pertença dos povos que partilharam a nossa História. Esse facto atribui-nos responsabilidades particulares no sentido de contribuirmos para a coesão nacional.

Essa coesão está ameaçada por factos que tenho procurado alertar e que o tempo tem comprovado.

 

O aumento progressivo da esperança média de vida exige-nos renovados cuidados de envelhecimento activo de forma a os reformados poderem continuar a sentirem-se úteis e a participar na sociedade. A emigração das novas gerações deve ser atalhada com medidas que façam os jovens sentir-se bem e realizar-se no país que os viu nascer.

A crise de natalidade é particularmente dramática em Portugal. Dezenas de milhares de crianças são mortas antes de nascer e esta é uma realidade que se verifica em todos os extractos sócio-económicos. Este drama exige-nos uma mudança para que o sentido de família se sobreponha ao egoísmo exacerbado da competição social e a falta de condições económicas seja ultrapassada com valores comunitários.

Se estas mudanças não surgirem a curto prazo, geraremos um gravíssimo decréscimo populacional e desequilíbrios sociais. Não queremos o desaparecimento da vivência familiar na qual se entrecruzam gerações, e em que os idosos e os jovens são apoiados pelos familiares.

Apelo aos jovens para que as facilidades a curto prazo não façam perder de vista o projecto de constituição de família, instituição que garante a felicidade individual e constitui a base de uma sociedade equilibrada. Alerto também para o crescimento desenfreado do trabalho precário, à medida que surgem novas tecnologias e se deslocalizam serviços e indústrias. O trabalhador precário está cada vez mais isolado, sem identidade laboral, sem memória social e sem o sentido de pertença a uma comunidade.

Acima das preocupações económicas, coloco a consciência ética, social, política e ambiental. Só com esta prioridade poderemos combater a falta de cultura de responsabilidade e compromisso que provoca a corrupção, a ganância e a falta de solidariedade para com os necessitados.

A vontade de enriquecimento rápido a qualquer custo impede a tomada de decisões que teriam um maior sucesso a longo prazo. Todos nós assistimos ao sobre-endividamento de famílias e empresas que, a par de casos de má gestão no sistema bancário, criaram graves problemas à economia nacional. O sistema jurídico português tem-se mostrado ineficiente em fazer justiça nestes casos.

 

Apelo ao sentido de responsabilidade de governantes, autarcas e em particular dos detentores do poder económico e a todos os Portugueses, para que respeitem sempre os valores éticos, rejeitando corajosamente qualquer forma de enriquecimento ilícito, em termos morais ou legais.

 

A importância da abertura de Portugal a todas as culturas e povos faz parte da nossa História. Neste sentido, congratulo-me com a eleição de um português, António Guterres, para secretário-geral da ONU. É uma honra para o nosso país.

Tendo participado em negociações de paz em vários conflitos internacionais, como por exemplo em Timor, na Síria e em países africanos de Língua Portuguesa, continuo disponível para colaborar no que for útil.

Ao longo da nossa História valorizámos a transmissão de culturas, a integração racial e o intercâmbio económico. A nossa capacidade de adaptação a realidades diferentes oferece-nos vantagens únicas competitivas face às comunidades mais fechadas e resistentes à mudança. Para aproveitarmos estas capacidades, valorizemos o enorme potencial que representa o nosso espaço de influência, sejam as comunidades portuguesas dispersas pelo mundo, sejam os países lusófonos, sejam aqueles povos com quem mantemos relações seculares.

 

Necessitamos promover uma profunda renovação da União Europeia, livre das pressões ideológicas e partidárias e dos interesses financeiros dos países mais fortes, e que defenda os valores Europeus do humanismo, da solidariedade e da liberdade.

No mundo ocidental assistimos a crescentes demonstrações contra governantes e regimes que, comprovadamente, cada vez menos servem os sentimentos maioritários dos povos. Verificamos um progressivo afastamento entre governantes e governados e o aparecimento de movimentos radicais que exploram o descontentamento popular.

As migrações em massa de povos suscitam em muitos os receios de profundas alterações nos nossos modos de vida em sociedade. Felizmente nós, Portugueses, somos reconhecidos em todo o mundo, ao longo da História, por sabermos acolher os outros - diferentes em religião e raça - e integrá-los com a nossa espiritualidade cristã em torno dos grandes valores que unem as comunidades nacionais. Portugal dá um bom exemplo ao permitir a entrada de refugiados de modo organizado para conseguir uma eficiente integração. No entanto os dramas que levam tantas pessoas a quererem imigrar para a Europa não se resolvem com a nossa hospitalidade. Importa criar condições económicas e de segurança nos seus países de origem, ou nas regiões fronteiriças, a fim de poderem regressar quando a situação se normalizar.

 

Espero que esta sensibilização aos nossos problemas nos dê coragem e nos ajude a desenhar projectos colectivos para os quais cada português se sinta chamado a contribuir com o seu esforço e exemplo pessoal.

 

Na recente evocação do dia de Cristo Rei, o Santo Padre encerrou com chave de ouro o Ano da Misericórdia, afirmando sobre Jesus Cristo: A sua realeza é paradoxal: o seu trono é a cruz; a sua coroa é de espinhos; não tem um cetro, mas põem-Lhe uma cana na mão; não usa vestidos sumptuosos, mas é privado da própria túnica; não tem anéis brilhantes nos dedos, mas as mãos trespassadas pelos pregos; não possui um tesouro, mas é vendido por trinta moedas."

Tenho bem presente esta lição de humildade do Papa Francisco. Não me move outro propósito senão servir Portugal, sempre ciente que a minha Família e eu representamos nove séculos da História de um Povo. Para voltar a ser grande, esse Povo só precisa que não lhe cortem a Esperança e a Coroa que une Portugal.

 

Viva Portugal!

 

Dom Duarte, Duque de Bragança

 

 

 

 

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Prova de Vida

por João Távora, em 06.10.16

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Ouvi com a atenção que pude o início do discurso do Senhor Presidente da República nas Cerimónias oficiais do 05 de Outubro.

E descobri, logo nas palavras iniciais, o pior lado de Marcelo.

O lado que lhe sobrou, não da brilhante carreira académica mas da liça politica onde sempre teve que trocar uma informação por uma deslealdade, um ar de graça por uma diatribe qualquer.

Marcelo começou o discurso sublinhando que o 5 de Outubro estava vivo! E entreteve-se a dar-lhe prova de vida.

Antes tivesse dito que estava vivo porque pertencia ainda ao calendário. Mas não disse!

Disse que o 5 de Outubro estava vivo em Portugal porque podemos escolher os nossos dirigentes sem termos que confiar em nenhum princípio sucessório. Olhei com incontida ironia para a mesa que o rodeava e que anuía a este estafado argumento, com acenos de cabeça tranquilos e sabedores: O Primeiro Ministro, o Presidente da Câmara de Lisboa e o Presidente da Assembleia da República que para além de irmanados nas acolhedoras palavras do Presidente, tinham apenas em comum o facto de nenhum dos 3 ter sido directamente eleito pelos portugueses, para o cargo importante que ainda ocupam.

Marcelo sim, foi eleito. Por uma minoria de cidadãos que de 5 em 5 anos são e serão chamados a escolher para Chefe do estado um, de entre dois portugueses: O que foi escolhido para o cargo pelo PSD e aquele outro que foi escolhido pelo PS.

Desde o General Eanes que emerge do período militar pós revolucionário, que o cargo é invariavelmente ocupado por um ex-lider de um destes dois partidos. E assim será pelos tempos fora, em nome de uma liberdade que, todos sabemos, está aprisionada a uma partidocracia sem ética, competência ou responsabilidade.

Por isso e porque a primeira fila estava repleta das não eleitas primeiras figuras do Estado Republicano, Marcelo precisou de fazer mais provas de vida. E falou vaga e obscuramente de uma ética que não sabemos bem qual é e que ligação possa ter ao 5 de Outubro.

Julgo que a ética republicana era apenas e historicamente a de se não traírem uns aos outros -desconfiados que eram e camaradas que pretendiam ser. Mas foi extrapolada como inspiradora de uma virtude que a República nunca fomentou, porque simplesmente nunca teve.

Quem lê a história dos primeiros 16 anos de República fica perplexo com tantas faltas de ética. Quem mergulha nos 48 anos de ditadura que se lhe seguiram, compreende que a ética republicana não tem muito a ver com tolerância, escolha ou liberdade!

Marcelo rematou esta prova de vida da pior maneira. O 5 de Outubro está vivo, dizia com aquela convicção dos velhos tempos, porque é o garante da falta de promiscuidade entre o poder político e o poder económico. Fiquei realmente atónito e a pensar nos muitos dirigentes da República que a justiça constituiu como arguidos por esse mesmo motivo. Fiquei a pensar que Portugal é porventura uma das únicas democracias do Mundo que, neste século, teve um seu Primeiro-ministro preso por essas exactas razões.

Na atabalhoada prova de vida, com referências despropositadas á Monarquia, Marcelo falou muitas vezes de liberdade. Como se as mais evoluídas democracias da Europa que são Monarquias não nos dessem lições de liberdade.

Como se o 05 de Outubro de 1910 que começou realmente dois anos antes com o assassinato do Chefe de Estado, o Rei Dom Carlos, não fosse uma revolução violenta perpetrada pelo partido Republicano (sim, existia!) que nas últimas eleições de então, não lograra atingir os 10% dos votos expressos.

E que, por isso, se apressou a fazer uma revolução para afirmar uma forma de regime que nunca foi sufragada pelos Portugueses e ainda hoje lhes é imposta pela Constituição. Na parte que eu não ouvi, o Presidente Marcelo, passou o tempo a dar provas de morte da Republica e da ética republicana.

O 05 de Outubro, caro Presidente Marcelo, está vivo, sim! Mas por outras bem mais elevadas razões. Porque comemora o dia da Fundação de Portugal consagrada pelo Tratado de Zamora em 05 de Outubro de 1143. E nós Portugueses, como todos os outros Países civilizados queremos festejar a nossa independência, a nossa existência como Nação. Só por isso o 05 de Outubro não morrerá!

 

António de Souza-Cardoso

Presidente da Causa Real

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Um dos nossos

por João Távora, em 15.03.16

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Como hoje dizia o Sérgio Figueiredo no Diário de Noticiais “Está a morrer a gente de que gosto”!

Falava de um amigo, este sim, provavelmente de todos os Portugueses que era o Nicolau Breyner que ontem se despediu de nós.

Do Nicolau Breyner todos conhecíamos múltiplas e estimulantes facetas – a de um actor versátil, quase genial. A de um entretainer de todos os recursos, a de um Homem apaixonado, com truculência, pela Vida. A de um amigo inter-geracional que a todos apoiava que a todos considerava com a sua proverbial jovialidade. A de um Alentejano de tempera e de trapio – que amava tão profundamente a sua terra que só nela se transformava verdadeiramente no Senhor Contente que a todos encantou.

Do seu pensamento político e social provavelmente ficará na memória de todos a candidatura à Câmara Municipal de Serpa que perdeu apenas por 1200 votos. Uma candidatura improvável em representação do partido mais à direita do espectro democrático, no distrito ainda bastião do Partido Comunista Português. Só mesmo Nicolau, com a sua inteligência prática, a sua afectividade natural, seria capaz de um feito tão singular.

Mas o que talvez pouca gente saiba é que Nicolau Breyner era um fervoroso patriota e um monárquico determinado e comprometido na defesa das suas convicções. Filiou-se cedo na Real Associação do Ribatejo e foi, por isso, um dos construtores do projecto da Causa Real que hoje reúne o Movimento Monárquico Português.

A sua afectividade, o seu sentido humano, o seu amor pelo Alentejo e por Portugal foram, seguramente, razões que determinaram a sua formação política e a crença profunda que tinha de que um Rei, era favorecido pela mesma afectividade com a Nação, pelo mesmo amor dedicado á Pátria Portuguesa.

Nicolau, o Senhor Contente que nos ajudava a celebrar a Festa da Vida, fará falta a todos os Portugueses pelo génio criativo que transbordava de Si, mas também pela devotada paixão que punha em todas as coisas.

 Partiu um grande Conjurado de Portugal a quem queremos prestar Homenagem através de palavras simples, como Ele tanto gostava. No fim destas palavras simples, julgo que Nicolau ficaria “contente” se rematássemos por Ele com um: - Viva o Rei, Viva Portugal!

 

António de Souza Cardoso

Presidente da Causa Real

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Marcelo, de Sua Graça!

por João Távora, em 15.03.16

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, empossado como 20º Presidente da República Portuguesa, está em absoluto estado de graça.

É o Presidente dos afectos que saiu lá de casa onde entrava todos os domingos, directamente para o Palácio de Belém. Para trás ficou um passado partidário longe do arquétipo hoje criado por Marcelo. A mesma irreverência, quase traquinice, nos mergulhos do Tejo e outros pequenos narcisismos, mas a diferença abissal de ser, não o Presidente do PSD que só conseguiu ganhar referendos duvidosos, mas o nosso Presidente - o do segredo das nossas casas e famílias que, quase invariavelmente, têm no plasma o seu principal interlocutor.

Marcelo fez a posse que queria – ao seu estilo, juntando tudo, sem medo que a mistura parecesse mixórdia.

Sem ter, desta vez, que fazer de morto para estar com todos, mas antes usando agora a sua superior influência para nos abraçar na sua benévola condescendência. Marcelo percebeu que o mundo frívolo e mediático que estamos, vive de sinais, de pequenas, sintomáticas, frivolidades e, por isso, imita a fórmula do Papa Francisco nessa ideia de tudo abraçar e compreender.

Mas Marcelo sabe que essa postura que é da essência permanente do Chefe do Vaticano não se ajustará por muito tempo, a quem lidera um País com as dificuldades que Portugal terá que enfrentar.

Marcelo, agora que tem que fazer prova de vida, que é chamado ao jogo, não pode mais pactuar com tudo e com todos, porque o mundo e o País estão muito mais para decisões difíceis do que ecuménicas!

A maioria que não manda, exercerá uma pressão crescentemente asfixiante sobre a minoria que tem que decidir. E que tem que decidir em cima de rectificativos, de rectificações, de rectilíneos desígnios que o BCE não admitirá excepcionar para Portugal.

António Costa não pode por muito mais tempo virar as costas ao jogo de máscaras em que se meteu. Não pode ser o bom aluno que a Europa exige e o “enfant terrible” que a “sua” maioria impõe. E Marcelo será chamado a arbitrar a primeira vez em que António Costa não tiver tempo para mudar de máscara.

E esse momento será mais breve do que o próprio Marcelo gostaria. Bastará que o sistema financeiro e as economias mundiais continuem a sua previsível periclitância e que o novo PSD chegue à conclusão que é a sua vez de “fazer de morto” e deixar de dar pretexto a António Costa, para continuar a poder ter um discurso para “português ouvir”!

Marcelo, de Sua Graça, tem pouco tempo para esta risível colagem às características de um Monarca. Percebo que goste, tanto como eu, dos valores da independência e da relação afectiva que o Rei tem com a Nação que representa. Mas por mais que engrace com a ideia, não pode fugir á sua natureza e á da Família politica de onde emana.

 E, também por isso, terá pouco tempo de exercer a graça natural que tem e o seu período de graça, terminará brevemente, para que Portugal não caia em desgraça!   

 

António de Souza Cardoso

Presidente da Causa Real

In Diário de Notícias

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O Presidente de Tão Poucochinhos Portugueses!

por João Távora, em 29.01.16

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De há muitos anos que os candidatos mais relevantes à Presidência da República, interpretando o que entendem dever ser um Chefe de Estado numa democracia constitucional se propõe a votos com slogans do género “O Presidente de todos os Portugueses”.

E uma vez mais os Portugueses vieram demonstrar qual a sua posição em relação à relevância que entendem ter a Chefia de Estado no regime republicano.

De facto, o que temos vindo a assistir é um acréscimo do número de portugueses que não acham que devem sufragar ou legitimar a eleição do Chefe de Estado. O que é estranho, num regime semi-presidencialista onde estão reservados ao Chefe de Estado poderes determinantes na condução da vida pública.

Nesta eleição os que não entenderam sufragar o Presidente da República são quase o dobro daqueles que o elegeram. Ou para ainda ser mais claro - três em cada quatro portugueses não votaram no Presidente da República que agora dirá ser “de todos os portugueses”.

Claro que isto só quer dizer o que quer dizer. Mas que é muito se quisermos tirar todas as ilações do tão pouco que hoje um Presidente agrega ou representa no interesse e na adesão dos Portugueses.

Este Chefe de Estado não consegue nunca ser o Chefe da Nação.

E com isso fica tremendamente diminuída a natureza e a força da sua intervenção. Se a existência de um Presidente da República tivesse por exemplo que ir a Referendo – afinal nunca os Portugueses escolheram livremente a forma republicana de regime, está comprovado que nunca iríamos ter Presidente da República!

 O que também diminui a força da instituição republicana que afinal se tem ancorado no facto decisivo de o Chefe de Estado ser escolhido pelos Portugueses.

Ao contrário os Portugueses, ou pelo menos a sua esmagadora maioria, recusa a relevância do sufrágio para a Chefia de Estado o que não deixa de poder ser lido como uma recusa sonora ao principal argumento dos defensores da nossa República.

Em suma, a República não consegue cativar os portugueses para, por um lado, valorizarem o sufrágio neste tipo de eleição e, por outro lado, proclamarem o Presidente da República como o garante da independência, da coesão e da identidade nacional, o que legitimaria o tão ambicionado epíteto de “Presidente de todos os Portugueses”.

Agora sim podemos falar de uma vitoria conseguida por muito, muito poucochinho!

 

António de Souza Cardoso

Presidente da Causa Real

In Move Notícias a 29 Jan. 2016

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