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O País vive dias de angústia difíceis de descrever. O que se passava com outros e gerava tristeza e comiseração generalizada, passa-se hoje com cada um de nós gerando, directa ou indirectamente, em cada uma das nossas casas, o medonho sentimento do medo!

Medo de nós, dos nossos que nos habituaram a tratar de quase tudo, à boa custa dos impostos, relativamente gordos, que quase todos pagamos.

Ao paternalismo exacerbado sucede-se neste tempo difícil do “passa culpas”, o salve-se quem puder! À responsabilidade colectiva sucede a responsabilidade individual e um “assobiar para o ar” que gera sentimentos de perplexidade e de solidão.

Não somos todos Portugueses, do mesmo País que arde e que sofre com cada um de nós?

Portugal arde de angústia e de medo perante o drama de, pela primeira vez, entender esta desfaçatez – das repetidas promessas de quem de tudo cuida, até ao momento  real do “lavar de mãos” quando tem mesmo de cuidar!

Perante a falência das instituições que sofrem agora mais um poderoso - porque humano e violento, golpe na sua idoneidade e no sentimento de valor que têm que transmitir aos cidadãos, o que é que ouvimos??

 

Não me compete, enquanto Presidente da Causa Real, julgar circunstâncias governativas, ou operacionais. Sequer políticas estruturais que provavelmente mereceriam um acompanhamento diferente da mais elevada magistratura da Nação que é a Presidência da República, durante sucessivos mandatos e sucessivos Governos. Que saudade da voz esclarecida de Gonçalo Ribeiro Teles, infelizmente premonitória de todo o drama que atravessa a sociedade portuguesa!

Perante uma calamidade pública como esta, agora sim, precisávamos de uma voz firme  e mobilizadora que calasse a incompetência operacional e reclamasse uma forma diferente de estar na “coisa pública”. A tal tão propalada “ética republicana” que nunca se materializou em nada e que tinha agora a pequena hipótese de se assumir como tal.

Ética, responsabilidade e sentido de Estado é que o que se exige, neste momento “Pessoano” de nevoeiro que se repete em Portugal, a todas as classes dirigentes.

A começar pelo Chefe de Estado que deveria passar da fase das selfies e do estado de graça, para acorrer à desgraça que atravessa  a alma daqueles que representa. Material  e fisicamente, claro, para aqueles que tudo perderam. Mas talvez, principalmente, para a desgraça moral de uma Nação que cada vez mais perde identidade e sentimento de pertença e de coesão.

Agora sim sentimos falta de Pai – de quem nos agregue, nos encoraje, nos estimule. De quem nos una, para além das culpas e das coisas risíveis!

O Presidente da República quer trabalho e acção.  Mas hesita em apontar caminhos e em sancionar prevaricações. Portugal e os Portugueses sofrem com esta ausência e sentem hoje bem como ela contrasta com a presença frenética em todas as festas, em todas as alegrias, em todos os sins que nos fazem elevar sorridentes o polegar!

Hoje, para todos nós, é tempo de dizer não, quando também nos recusam a óbvia responsabilidade das instituições em que nos fizeram acreditar. Quando nos dizem não à cidadania dos direitos e nos impõem, com pragmático cinismo, a cidadania das obrigações!

Hoje, como nunca, é a Nação que sangra e sofre! E o que ficará a arder por muito tempo é o coração dos portugueses, abandonados numa sorte sem abono ou protecção de ninguém. Nem dos Seus Maiores que se comprometeram, nas horas felizes, a cuidar de todos com o zelo e a responsabilidade que justificam o mérito para o exercício das mais importantes funções do Estado!

Como no tempo longínquo de Sófocles que afirmava que “quem tem medo não faz outra coisa senão sentir rumores”, precisamos da luz de uma lanterna para encontrar os Homens que faltam a Portugal!

 

Antonio de Souza-Cardoso

Presidente da Causa Real

 

P.S: Marcelo Rebelo de Sousa falou já depois de ter escrito este artigo. Tarde demais na minha modesta opinião. Gostei do humanismo, da proximidade e da afectividade do cidadão. Mas como o próprio quis separar a sua condição de cidadão da Sua condição de Chefe de Estado, achei poucochinho o que o Chefe de Estado disse. Principalmente pelo que “podia e devia dizer”. E não disse! Lembrei-me, involuntariamente de Santana e de Jorge Sampaio…

 

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O Rei como única solução para a Catalunha

por Causa Real, em 04.10.17

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Hoje apetecia-me tanto falar das eleições Autárquicas ou da efervescência política que se vive no PSD perante os seus resultados. Mas assino este artigo na única qualidade de Presidente da Causa Real. E, por isso, na força singela da frase “a César o que é de César”, reconheço que as questões ligadas aos partidos e à governação nacional ou regional, dizem respeito, exclusivamente a eles próprios.

 

A Causa Real, com militantes em todos os partidos preocupar-se-á sempre em afirmar as virtudes da instituição Real e a forma como qualificam e melhoram as claras insuficiências que nos nossos dias, transpiram dos modelos sociais e económicos em que assentam as democracias ocidentais, em particular num Mundo que é ou está, crescentemente globalizado.

Não posso, por isso, ter estados de alma sobre qualquer coisa que ultrapasse os limites e a natureza do mandato para que fui eleito.

E é este mesmo entendimento que devem ter os Chefes de Estado, vinculados que estão aos limites das suas obrigações e responsabilidades constitucionais.

 

Nos regimes parlamentares e semi-presidencialistas da maioria dos Países Europeus, ao Chefe de Estado exige-se independência na regulação dos poderes dos diferentes órgãos de soberania; garantia da coesão, identidade e independência nacionais; presença como referencial de representação externa da Nação e do Estado. Estes 3 pilares de intervenção, exigem ainda probidade, reserva, temperança e bom senso, para que nada do que não é de César seja chamado a César.

Em tese, os 3 pilares supra referidos serão sempre melhor assegurados por um Rei – que é independente porque não emerge de nenhum partido – quem pode ser árbitro no jogo em que intervém a equipe que se treinou ou onde se jogou no momento anterior? Que é o genuíno garante da coesão e da identidade nacional, porque é de todos e não passa a ser de todos depois de o cargo lhe ter sido dado por uma facção sempre minoritária que o apoiou;  e que encarna  pela representação histórica e cultural que lhe é inerente, a estabilidade, continuidade e perenidade da nação o que lhe confere uma notoriedade não desprezável nem ao nível do marketing politico internacional nem da permanente negociação exigida pela globalização. Quem conhece por exemplo o Presidente de Itália ou da Alemanha?

 

Dito isto passemos para o Rei de Espanha e observemos o espaço que deu, no estrito respeito da Constituição para que o sistema político-partidário e os Governos nacional e regional que deles emergem chegassem a um entendimento. Não foi possível! E pior do que não ter sido possível pôs em “carne viva” aquilo que de pior existe nos partidos, nas facções e organizações político partidárias: O oportunismo que manipula, o arrivismo que se favorece, a profissionalização da politica que a diminui, a promiscuidade com o poder económico que a condena, a ausência total de ética e de responsabilidade no exercício de funções públicas.

Filipe VI interveio, no momento certo. Depois de esgotadas as alternativas constitucionais, depois de ameaçada e a coesão e a independência nacional. Contra um líder oportunista que fez um referendo ilegal, minoritário e auto regulado. Houve pueblos em Girona que têm 470 habitantes e que em que o “Sim” proclama a vitória com 1002 votos??!!

Em cima desta vergonha o Rei falou do País. Da inclusão, de todos Catalães e de todos os Espanhóis que ele efectivamente representa - com a mesma responsabilidade e coragem com que deu a cara no vergonhoso atentado terrorista de que os catalães foram vitimas ainda há poucas semanas.

 

O Rei é a última esperança da Catalunha e do Reino das Espanhas enquanto Estado de Direito Democrático e Livre!

 

António de Souza-Cardoso

Presidente da Causa Real

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Cada vez mais vivemos tempos de angústia, de sobressalto e insegurança. A desagregação de uma sociedade baseada na instituição da Família e de uma organização jurídico-política, baseada em princípios de globalização que ameaçam as identidades nacionais e a independência dos Países, geraram em todo o mundo uma progressiva diluição dos valores ético-morais assentes na liberdade e na tolerância, valores que contribuíam para assegurar o equilíbrio sociocultural que presidia ao relacionamento entre os Estados e as Nações que os constituíam e legitimavam.

Aqui, tão perto, em Barcelona, ocorreu apenas mais um atentado violento da série trágica e intolerável de propagação do terrorismo no Mundo que ataca os valores da civilização ocidental e da matriz judaica cristã que a inspirou.

Não pretendo aproveitar este acto repugnante, para alertar para os perigos da destruição dos valores fundamentais que presidem à organização sociopolítica das Nações e dos Países, mas antes de homenagear aquilo que me parece evidente.

A atitude do povo espanhol que, mesmo fracturado em tantas autonomias de que a Catalunha é o exemplo maior, se uniu na dor de chorar os Seus e de defender aquilo que é verdadeiramente pertença de um sentimento comum de verdadeira ameaça à sua liberdade e identidade.

A atitude de um povo que embora dividido nas múltiplas facetas da mesma identidade, se reuniu em torno dos valores maiores que o representam. E a figura, o rosto dessa união, foi, sem nenhuma dúvida, o Rei Filipe VI. Que com o mesmo desassombro de Seu Pai quando exigiu silêncio ao ditador Hugo Chavez que ofendia violenta e desbragadamente o Povo Espanhol, disse agora em verdadeira representação dos povos da Espanha que “Nós não temos, nem teremos, medo”!

E essa para além de ser a frase certa, filha também ela do mesmo desassombro, é igualmente a única voz que poderia falar por todos, em nome de todos e, também, contra todos os que ofendem a liberdade e a identidade do povo Espanhol e da civilização Ocidental.

  Não era, não foi, uma voz ou uma frase de circunstância no corropio politico de quem se quer, apenas, mostrar. Mas, antes, a frase e a voz firme e serenas de quem sabe o que representa, de quem genuinamente sente e interpreta o sentimento de um Povo unido na injusta ameaça que fustigou a sua dignidade e segurança.

António Sardinha dizia uma frase que, julgo, resume bem este momento e esta fotografia de um Rei a representar o Seu Povo e de um Povo a unir-se em torno do Seu Rei: ” A Alma o diz, e a Alma não se engana, que ver um Rei na sua força calma, é ver a Pátria com figura humana!”

Espanha tem o privilégio, nestes tempos difíceis, de ter “a Pátria com figura humana”!

 

António de Souza-Cardoso
Presidente da Causa Real

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editado por Causa Real a 18/10/17 às 09:54

O Príncipe de todos os portugueses

por Causa Real, em 07.06.17

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No argumentário vasto do movimento monárquico consta a possibilidade, que só a Instituição Real confere, de criar uma identificação genuína entre os cidadãos e a Família Real, potenciada pela circunstância dos cidadãos verem os membros da sua Família Real crescerem, geração após geração.

Quando alguém nasce já tem um Príncipe com o qual se identificar e com quem pode crescer.

Olha-se para aquela Família e percebe-se que vivem as mesmas alegrias e anseios de qualquer famíla “comum”. Acabam por fazer parte de casa.

 

A identificação com o Rei, e com quem lhe sucederá, é absolutamnete natural e baseada num puro afecto de base familiar. A Família Real é a família de todos.

A vantagem é clara: a população ganha estima pessoal pelo seu Chefe de Estado, não tendo que recorrer a eleições para escolher o que já está escolhido desde sempre e permanentemente escrutinado pelo afecto verdadeiramente genuínio (não interesseiro, nem esporádico).

 

Este fim-de-semana, na Sé de Braga, tivemos a oportunidade de vivenciar esta familiaridade. O Príncipe da Beira, S. A. R o Senhor Dom Afonso de Santa Maria,  foi entronizado na Real Confraria de Santa Maria de Braga, criada na altura do seu Baptismo e com o único propósito de o servir, enquanto Príncipe que é um “servo dos servos”.  

A experiência de participar nesta cerimónia foi emocionante. Na verdade, quando a teoria passa à prática no plano das emoções, e tudo o que se relaciona com a Pátria está envolto em emoção, ficamos felizes e arrepiados. Ver o nosso jovem Príncipe, agora com 21 anos, assumir as suas responsabilidades na sua Confraria, transportou-nos para o dia em que foi Baptizado, 1 de Junho de 1996.

Recordo-me bem desse dia e da esperança que trouxe a todo o país. Eu, com 12 anos, senti a História renascer, o acordar de uma Nação maltratada por quase um século de três repúblicas. Esperança é dizer pouco. Esse dia foi e é fundamental para a minha crença num país que é capaz de sobreviver se souber aproveitar a sua Família Real.

Aquele momento na Sé de Braga, vivido neste 3 de Junho de 2017, fez-me sentir que de facto o Príncipe é de todos nós, porque do Berço à bravura dos 21 contou com o nosso olhar, estima, afecto e esperança. Continuará a contar.

Assim faz sentido dar a vida pela Pátria e por quem a representa com a legitimidade do afecto dos Portugueses.

 

Diogo Tomás Pereira

Membro da Comissão Executiva da Causa Real

 

 

 

 

 

 

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A Liberdade por cumprir

por Causa Real, em 25.04.17

A Liberdade não é um valor próprio ou exclusivo detido por alguma força ideológica. A Liberdade é um valor intrínseco à própria natureza humana. Somos concebidos, logo somos livres.

Porém, é forçoso reconhecer que, muitas vezes, foram homens movidos pelas suas paixões ideológicas que libertaram sociedades presas a outras realidades ideológicas castradoras da Liberdade. O perigo, que tantas vezes se repetiu, foi sujeitar os “libertados” a uma “nova” tirania.

É preciso uma abnegação extrema para fazer e depois entregar à Verdade. No 25 de Abril tivemos alguns assim, mas não todos.

 

Vivemos num clima, desde esse dia de 1974, em que é muito difícil pensar diferente e conseguir chegar mais longe ao ponto de mover os cidadãos. Existe mesmo uma ditadura do pensamento único. Quem não está dentro, é marginalizado e a vida política torna-se-lhe muito difícil.

As manifestações deste poder, que parece considerar-se revestido de uma superioridade moral, blindou-se desde cedo, mesmo em nome da “liberdade”. A verdade é que essa “liberdade” limitou as nossas escolhas e a percepção, principalmente das novas gerações, do que é a Pátria e o seu valor intemporal.

Veja-se, por exemplo, a alínea b) do artigo 288º da Constituição da República Portuguesa. Este preceito constitucional impõe a “forma republicana de governo” sempre que se fizer uma revisão constitucional. A assembleia constituinte entendeu, em nome da “liberdade”, que aos portugueses não deve ser dado o direito de escolherem o tipo de regime em que querem viver. Liberdade?

Em boa hora, um grupo de bons cidadãos levou ao Parlamento uma petição para substituir esta fórmula por “forma democrática de governo”, mas os “senhores”, impositores do pensamento único e guardiões do seu conceito de liberdade, rejeitaram a proposta, eternizando uma lei magna coxa e contrária à democracia.

 

O regime, republicano, que nos foi imposto, obriga-nos a aceitar um chefe de estado filho de um qualquer berço ideológico. Alguém que leva para a presidência uma visão do mundo que pode não ser, na maior parte das vezes não é, correspondente à essência do ser português.

O modelo escolhido para a chefia de estado, cargo que existe para servir e representar todos, não é respeitador da Liberdade, porque impõe alguém escolhido por uns poucos, com anseios ideológicos, para representar todos. Aqui ficou por cumprir Abril.

A ausência de um poder estável, hoje não temos qualquer órgão do Estado que esteja livre da instabilidade, é uma ameaça permanente à Liberdade e democracia. Não temos árbitro do jogo político, porque o árbitro é declaradamente de uma das equipas.

 

Nem todos os cargos políticos são escolhidos em eleições e isso não viola a democracia, pois a sua vitalidade, a sua sobrevivência, depende de um “lugar” que seja inviolável. Esse “lugar” é onde está cada um dos portugueses, venha de onde vier. Esse “lugar” é aquele ocupado pelo Rei dos Portugueses.

 

Abril só se cumprirá quando se sacralizar um poder estável, não ideológico, com a legitimidade histórica que lhe permita ser o guardião da Liberdade e da democracia.

 

Diogo Tomás Pereira

Membro da Comissão Executiva da Causa Real

 

 

 

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 O deputado socialista Ascenso Simões reconheceu na sua coluna da passada quarta-feira aqui no jornal i que a petição que por estes dias decorre online para a inclusão do Chefe da Casa Real Portuguesa no Protocolo de Estado “(…) não se apresenta recheada de problemas políticos ou institucionais, uma vez que D. Duarte é conhecido como herdeiro da coroa” e que “(…) o protocolo do Estado deve acomodar uma norma que permita aos mais altos representantes do Estado conferirem a D. Duarte, por tudo o que representa, uma dignidade única em circunstâncias especiais? A nossa opinião vai no sentido positivo.” Tirando a menorização dos monárquicos que pelos vistos Ascenso Simões execra, estamos de acordo com tudo o mais no seu artigo e é precisamente no sentido que afirma que a petição surge. De facto esta iniciativa não pretende "monarquizar" o regime republicano que nos coube em azar, e muito menos "republicanizar" a Instituição Real como receiam alguns monárquicos. A petição não pretende atribuir aos Duques de Bragança nenhum lugar na lista de precedências existente, essas constam do art.º 7.º da Lei e não se lhe pede alteração. O que se pede é que o representante dos reis de Portugal, quando convidado para qualquer cerimónia, nela tenha o estatuto honroso e digno, de "convidado especial", estatuto que não altera a lista das precedências do Protocolo. Implica apenas, e não é pouco, uma especialíssima relevância a conceder a um convidado que é, pelo que na verdade representa, “especial”. 

De resto as Reais Associações são por natureza e vocação uma “mixórdia”, no sentido de “misturada”, como lhes chama Ascenso Simões. Representam grupos heterogéneos, transversais, e por isso, talvez elas possam ser vistas pelos seus detractores como “mixórdias”. De facto as Reais Associações assentam na diversidade de que é feito o nosso país, nas várias regiões em que estão inseridas. Elas não se dirigem a um grupo em particular, facção ideológica, classe social ou elite cultural, antes se dirigem a todos os que não se conformam com a república a que chegámos em 1910 e que gostariam ver restaurados os valores permanentes da nossa portugalidade. Ora acontece que esses valores não sendo propriedade de ninguém, são seguramente protagonizados pelo Senhor Dom Duarte.
Finalmente, os defeitos que atribui aos monárquicos como eu, não nos impede de querermos ser cada vez mais e melhores. É por isso que estamos a trabalhar todos os dias.

 

Publicado originalmente aqui

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Uma mulher ao serviço de um povo

por Causa Real, em 06.02.17

 

Hoje é um dia muito especial para várias nações: Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Jamaica, Barbados, Bahamas, Granada, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Tuvalu, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Belize, Antígua e Barbuda e São Cristóvão e Nevis.

O que une todos estes países? O seu chefe de estado: a Rainha Isabel II.

 

Hoje, dia 6 de Fevereiro de 2017, a Rainha Isabel II torna-se a monarca viva há mais tempo no trono em todo o mundo.

Esta efeméride, com dimensões à escala planetária, diz muito deste “sacerdócio” que “Lilibet” assumiu aos 25 anos, após a morte prematura do pai. Parece que todos nós, independentemente da nacionalidade, fomos habituadas a ver Sua Majestade não só como Rainha dos Britânicos, mas também como se fosse a “nossa rainha”.

 

O seu reinado tem acompanhado várias gerações que a reconhecem como legítima representante dos seus povos. Legitimidade que se fundamenta no seu sangue e no Parlamento, mas, como se não bastasse, também na forma exemplar como tem exercido a sua missão.

 

Pessoa integra, com desprezo pelo escândalo e mexerico, e com uma determinação extraordinária no cumprimento do dever. Dedicou toda a sua vida, que passou por várias amarguras, ao serviço, aceitando desde cedo o testemunho que o pai lhe passaria. Podemos questionar se tinha outra alternativa. Tinha. O seu tio teve.

Isabel II quis o trono, qual cadeira de serviço, sabendo que enfrentaria as maiores dificuldades. Não as negou. Tinha um povo para defender e servir.

Estas características, a sobriedade e dedicação, fascinam homens e mulheres de todas as idades e tempos, de todas as partes do mundo.

 

É provável que aqueles que estão condenados a viver em república, como nós, sintam mais afinidade com esta Rainha, uma vez que nos seus países não conseguem ter uma referência de estabilidade e um reduto moral, porque todas as instituições estão sujeitas ao desmando da “oligarquia” política.

A falta que nos faz uma Rainha assim…

 

Decidiu passar o dia na residência de Sandringham, onde o pai, George VI, morreu prematuramente há 65 anos. É assim que faz sempre. Como a Casa Real recordou: o dia “não é de festejos”.

É esta humanização que torna a “chefia de estado Real” tão próxima dos cidadãos. O dia da morte de um familiar, principalmente quando prematura, é sempre recordado com saudade em qualquer família. Na Família Real Britânica também é assim.

Naturalmente que há festejos um pouco por todos o país para celebrar o Jubileu de Safira da monarca, como as tradicionais salvas de canhão, mas a marca mais forte deste dia é o amor de pai e filha, inseparável do amor pela pátria, eternizado pelo belíssimo colar de safiras que George VI ofereceu a “Lilibet” no seu casamento (pode ser visto na fotografia oficial do Jubileu).

 

Diogo Tomás Pereira

Membro da Comissão Executiva da Causa Real

 

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Portugal também tem um Rei!

por Causa Real, em 04.12.16

 

A visita dos Reis de Espanha, como de qualquer Casa Real, a Portugal causa sempre um impacto mais forte e afectivo do que a vinda que qualquer outro Chefe de Estado. Porque será?

Julgo que a Instituição Real – a Família Real, se afirma mais facilmente como um referencial da história, da cultura e da identidade de um Povo. E que este capital simbólico que já de si propicia afectividade, ganha hoje relevância ainda maior pela crise por que passam os sistemas político-partidários de todas as democracias. A corrupção e a crise de responsabilidade das classes dirigentes tem afastado progressivamente as novas gerações de uma participação mais activa na vida pública e aberto espaço para todos os populismos e radicalismos que emergem perigosamente em todo o Mundo.
Daí a necessidade de assegurarmos, como no caso da Instituição Real, elementos de agregação e de identidade, perenes, estáveis, indiscutíveis – que existam para além do sistema político e partidário e que gerem um vínculo directo com a Nação.


Os Reis dão, por outro lado, estabilidade, continuidade e notoriedade ao Estado. Ninguém saberá dizer o nome do Presidente da República italiano ou do Chanceler alemão, mas todos conhecem os Reis de Espanha ou a Rainha de Inglaterra. E esta pequena diferença, faz muito num mundo globalizado e mediatizado, onde as influências económicas e políticas exigem o conhecimento e o reconhecimento que é dado pelos valores da continuidade e da notoriedade.


Claro que podíamos também dizer que o Rei é suprapartidário – isento portanto em todo o jogo político da governação e, por isso mesmo, mais capaz de fazer a sua regulação como exigem a maioria das democracias constitucionais. Não é árbitro numa disputa onde já foi jogador de uma das equipas e isso dá-lhe a distância para decidir sem reservas passadas ou premeditações futuras.
Mas esse não é, hoje, o meu ponto. Nem esse nem o da estabilidade que o Rei proporciona permitindo que a governação e o desenvolvimento social e económico se cumpram – não é por acaso que a OCDE destaca que 7 dos 10 Países mais desenvolvidos do Mundo são Monarquias.
E não é esse o meu ponto, porque venho falar de um Rei que não é Chefe de Estado. Mas que poderia continuar a ser Rei dos Portugueses – referencial da nação que somos e que extravasa muito o nosso território para abraçar todas as diásporas que fizemos ao longo da história, que desenvolveram uma cultura e uma língua únicas, presentes em todo o Mundo.


Portugal tem um Rei, uma Família Real de que se poderia socorrer para fazer valer esse Património e essa Cultura, proporcionando novos desígnios de um mundo Português que na sua essência representa uma centralidade e uma estratégia geopolítica muito mais promissoras.
Claro que tudo se cumpriria melhor se este Rei dos Portugueses fosse Rei de Portugal. Mas para os que ainda vivem do preconceito de uma República que não consegue servir e qualificar a democracia constitucional que mais recentemente escolheu como forma de governação, fica o desafio de pensaram se temos o direito de dispensar o valioso papel que, mesmo em República, poderia ser exercido pelo Rei dos Portugueses!

 

António de Souza-Cardoso

Presidente da Causa Real

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Foi com grande alegria que os Portugueses tomaram conhecimento da reposição do feriado do 1º de Dezembro!

Tenho afirmado que sem a Restauração de 1640 a nossa história ficaria muito pobre, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa não existiria e hoje seríamos apenas uma região do país vizinho, a reclamar a nossa independência.

 

Nas visitas que a minha Família e eu realizamos por todo o País, convidado pelas autarquias e outras comunidades locais que tão amigavelmente me recebem, e nas minhas deslocações ao estrangeiro, comprovo que os representantes dinásticos das Famílias Reais constituem um factor de identidade, valorizado pelos povos, que no caso português inclui também um sentimento de pertença dos povos que partilharam a nossa História. Esse facto atribui-nos responsabilidades particulares no sentido de contribuirmos para a coesão nacional.

Essa coesão está ameaçada por factos que tenho procurado alertar e que o tempo tem comprovado.

 

O aumento progressivo da esperança média de vida exige-nos renovados cuidados de envelhecimento activo de forma a os reformados poderem continuar a sentirem-se úteis e a participar na sociedade. A emigração das novas gerações deve ser atalhada com medidas que façam os jovens sentir-se bem e realizar-se no país que os viu nascer.

A crise de natalidade é particularmente dramática em Portugal. Dezenas de milhares de crianças são mortas antes de nascer e esta é uma realidade que se verifica em todos os extractos sócio-económicos. Este drama exige-nos uma mudança para que o sentido de família se sobreponha ao egoísmo exacerbado da competição social e a falta de condições económicas seja ultrapassada com valores comunitários.

Se estas mudanças não surgirem a curto prazo, geraremos um gravíssimo decréscimo populacional e desequilíbrios sociais. Não queremos o desaparecimento da vivência familiar na qual se entrecruzam gerações, e em que os idosos e os jovens são apoiados pelos familiares.

Apelo aos jovens para que as facilidades a curto prazo não façam perder de vista o projecto de constituição de família, instituição que garante a felicidade individual e constitui a base de uma sociedade equilibrada. Alerto também para o crescimento desenfreado do trabalho precário, à medida que surgem novas tecnologias e se deslocalizam serviços e indústrias. O trabalhador precário está cada vez mais isolado, sem identidade laboral, sem memória social e sem o sentido de pertença a uma comunidade.

Acima das preocupações económicas, coloco a consciência ética, social, política e ambiental. Só com esta prioridade poderemos combater a falta de cultura de responsabilidade e compromisso que provoca a corrupção, a ganância e a falta de solidariedade para com os necessitados.

A vontade de enriquecimento rápido a qualquer custo impede a tomada de decisões que teriam um maior sucesso a longo prazo. Todos nós assistimos ao sobre-endividamento de famílias e empresas que, a par de casos de má gestão no sistema bancário, criaram graves problemas à economia nacional. O sistema jurídico português tem-se mostrado ineficiente em fazer justiça nestes casos.

 

Apelo ao sentido de responsabilidade de governantes, autarcas e em particular dos detentores do poder económico e a todos os Portugueses, para que respeitem sempre os valores éticos, rejeitando corajosamente qualquer forma de enriquecimento ilícito, em termos morais ou legais.

 

A importância da abertura de Portugal a todas as culturas e povos faz parte da nossa História. Neste sentido, congratulo-me com a eleição de um português, António Guterres, para secretário-geral da ONU. É uma honra para o nosso país.

Tendo participado em negociações de paz em vários conflitos internacionais, como por exemplo em Timor, na Síria e em países africanos de Língua Portuguesa, continuo disponível para colaborar no que for útil.

Ao longo da nossa História valorizámos a transmissão de culturas, a integração racial e o intercâmbio económico. A nossa capacidade de adaptação a realidades diferentes oferece-nos vantagens únicas competitivas face às comunidades mais fechadas e resistentes à mudança. Para aproveitarmos estas capacidades, valorizemos o enorme potencial que representa o nosso espaço de influência, sejam as comunidades portuguesas dispersas pelo mundo, sejam os países lusófonos, sejam aqueles povos com quem mantemos relações seculares.

 

Necessitamos promover uma profunda renovação da União Europeia, livre das pressões ideológicas e partidárias e dos interesses financeiros dos países mais fortes, e que defenda os valores Europeus do humanismo, da solidariedade e da liberdade.

No mundo ocidental assistimos a crescentes demonstrações contra governantes e regimes que, comprovadamente, cada vez menos servem os sentimentos maioritários dos povos. Verificamos um progressivo afastamento entre governantes e governados e o aparecimento de movimentos radicais que exploram o descontentamento popular.

As migrações em massa de povos suscitam em muitos os receios de profundas alterações nos nossos modos de vida em sociedade. Felizmente nós, Portugueses, somos reconhecidos em todo o mundo, ao longo da História, por sabermos acolher os outros - diferentes em religião e raça - e integrá-los com a nossa espiritualidade cristã em torno dos grandes valores que unem as comunidades nacionais. Portugal dá um bom exemplo ao permitir a entrada de refugiados de modo organizado para conseguir uma eficiente integração. No entanto os dramas que levam tantas pessoas a quererem imigrar para a Europa não se resolvem com a nossa hospitalidade. Importa criar condições económicas e de segurança nos seus países de origem, ou nas regiões fronteiriças, a fim de poderem regressar quando a situação se normalizar.

 

Espero que esta sensibilização aos nossos problemas nos dê coragem e nos ajude a desenhar projectos colectivos para os quais cada português se sinta chamado a contribuir com o seu esforço e exemplo pessoal.

 

Na recente evocação do dia de Cristo Rei, o Santo Padre encerrou com chave de ouro o Ano da Misericórdia, afirmando sobre Jesus Cristo: A sua realeza é paradoxal: o seu trono é a cruz; a sua coroa é de espinhos; não tem um cetro, mas põem-Lhe uma cana na mão; não usa vestidos sumptuosos, mas é privado da própria túnica; não tem anéis brilhantes nos dedos, mas as mãos trespassadas pelos pregos; não possui um tesouro, mas é vendido por trinta moedas."

Tenho bem presente esta lição de humildade do Papa Francisco. Não me move outro propósito senão servir Portugal, sempre ciente que a minha Família e eu representamos nove séculos da História de um Povo. Para voltar a ser grande, esse Povo só precisa que não lhe cortem a Esperança e a Coroa que une Portugal.

 

Viva Portugal!

 

Dom Duarte, Duque de Bragança

 

 

 

 

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Prova de Vida

por João Távora, em 06.10.16

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Ouvi com a atenção que pude o início do discurso do Senhor Presidente da República nas Cerimónias oficiais do 05 de Outubro.

E descobri, logo nas palavras iniciais, o pior lado de Marcelo.

O lado que lhe sobrou, não da brilhante carreira académica mas da liça politica onde sempre teve que trocar uma informação por uma deslealdade, um ar de graça por uma diatribe qualquer.

Marcelo começou o discurso sublinhando que o 5 de Outubro estava vivo! E entreteve-se a dar-lhe prova de vida.

Antes tivesse dito que estava vivo porque pertencia ainda ao calendário. Mas não disse!

Disse que o 5 de Outubro estava vivo em Portugal porque podemos escolher os nossos dirigentes sem termos que confiar em nenhum princípio sucessório. Olhei com incontida ironia para a mesa que o rodeava e que anuía a este estafado argumento, com acenos de cabeça tranquilos e sabedores: O Primeiro Ministro, o Presidente da Câmara de Lisboa e o Presidente da Assembleia da República que para além de irmanados nas acolhedoras palavras do Presidente, tinham apenas em comum o facto de nenhum dos 3 ter sido directamente eleito pelos portugueses, para o cargo importante que ainda ocupam.

Marcelo sim, foi eleito. Por uma minoria de cidadãos que de 5 em 5 anos são e serão chamados a escolher para Chefe do estado um, de entre dois portugueses: O que foi escolhido para o cargo pelo PSD e aquele outro que foi escolhido pelo PS.

Desde o General Eanes que emerge do período militar pós revolucionário, que o cargo é invariavelmente ocupado por um ex-lider de um destes dois partidos. E assim será pelos tempos fora, em nome de uma liberdade que, todos sabemos, está aprisionada a uma partidocracia sem ética, competência ou responsabilidade.

Por isso e porque a primeira fila estava repleta das não eleitas primeiras figuras do Estado Republicano, Marcelo precisou de fazer mais provas de vida. E falou vaga e obscuramente de uma ética que não sabemos bem qual é e que ligação possa ter ao 5 de Outubro.

Julgo que a ética republicana era apenas e historicamente a de se não traírem uns aos outros -desconfiados que eram e camaradas que pretendiam ser. Mas foi extrapolada como inspiradora de uma virtude que a República nunca fomentou, porque simplesmente nunca teve.

Quem lê a história dos primeiros 16 anos de República fica perplexo com tantas faltas de ética. Quem mergulha nos 48 anos de ditadura que se lhe seguiram, compreende que a ética republicana não tem muito a ver com tolerância, escolha ou liberdade!

Marcelo rematou esta prova de vida da pior maneira. O 5 de Outubro está vivo, dizia com aquela convicção dos velhos tempos, porque é o garante da falta de promiscuidade entre o poder político e o poder económico. Fiquei realmente atónito e a pensar nos muitos dirigentes da República que a justiça constituiu como arguidos por esse mesmo motivo. Fiquei a pensar que Portugal é porventura uma das únicas democracias do Mundo que, neste século, teve um seu Primeiro-ministro preso por essas exactas razões.

Na atabalhoada prova de vida, com referências despropositadas á Monarquia, Marcelo falou muitas vezes de liberdade. Como se as mais evoluídas democracias da Europa que são Monarquias não nos dessem lições de liberdade.

Como se o 05 de Outubro de 1910 que começou realmente dois anos antes com o assassinato do Chefe de Estado, o Rei Dom Carlos, não fosse uma revolução violenta perpetrada pelo partido Republicano (sim, existia!) que nas últimas eleições de então, não lograra atingir os 10% dos votos expressos.

E que, por isso, se apressou a fazer uma revolução para afirmar uma forma de regime que nunca foi sufragada pelos Portugueses e ainda hoje lhes é imposta pela Constituição. Na parte que eu não ouvi, o Presidente Marcelo, passou o tempo a dar provas de morte da Republica e da ética republicana.

O 05 de Outubro, caro Presidente Marcelo, está vivo, sim! Mas por outras bem mais elevadas razões. Porque comemora o dia da Fundação de Portugal consagrada pelo Tratado de Zamora em 05 de Outubro de 1143. E nós Portugueses, como todos os outros Países civilizados queremos festejar a nossa independência, a nossa existência como Nação. Só por isso o 05 de Outubro não morrerá!

 

António de Souza-Cardoso

Presidente da Causa Real

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