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A Liberdade por cumprir

por Causa Real, em 25.04.17

A Liberdade não é um valor próprio ou exclusivo detido por alguma força ideológica. A Liberdade é um valor intrínseco à própria natureza humana. Somos concebidos, logo somos livres.

Porém, é forçoso reconhecer que, muitas vezes, foram homens movidos pelas suas paixões ideológicas que libertaram sociedades presas a outras realidades ideológicas castradoras da Liberdade. O perigo, que tantas vezes se repetiu, foi sujeitar os “libertados” a uma “nova” tirania.

É preciso uma abnegação extrema para fazer e depois entregar à Verdade. No 25 de Abril tivemos alguns assim, mas não todos.

 

Vivemos num clima, desde esse dia de 1974, em que é muito difícil pensar diferente e conseguir chegar mais longe ao ponto de mover os cidadãos. Existe mesmo uma ditadura do pensamento único. Quem não está dentro, é marginalizado e a vida política torna-se-lhe muito difícil.

As manifestações deste poder, que parece considerar-se revestido de uma superioridade moral, blindou-se desde cedo, mesmo em nome da “liberdade”. A verdade é que essa “liberdade” limitou as nossas escolhas e a percepção, principalmente das novas gerações, do que é a Pátria e o seu valor intemporal.

Veja-se, por exemplo, a alínea b) do artigo 288º da Constituição da República Portuguesa. Este preceito constitucional impõe a “forma republicana de governo” sempre que se fizer uma revisão constitucional. A assembleia constituinte entendeu, em nome da “liberdade”, que aos portugueses não deve ser dado o direito de escolherem o tipo de regime em que querem viver. Liberdade?

Em boa hora, um grupo de bons cidadãos levou ao Parlamento uma petição para substituir esta fórmula por “forma democrática de governo”, mas os “senhores”, impositores do pensamento único e guardiões do seu conceito de liberdade, rejeitaram a proposta, eternizando uma lei magna coxa e contrária à democracia.

 

O regime, republicano, que nos foi imposto, obriga-nos a aceitar um chefe de estado filho de um qualquer berço ideológico. Alguém que leva para a presidência uma visão do mundo que pode não ser, na maior parte das vezes não é, correspondente à essência do ser português.

O modelo escolhido para a chefia de estado, cargo que existe para servir e representar todos, não é respeitador da Liberdade, porque impõe alguém escolhido por uns poucos, com anseios ideológicos, para representar todos. Aqui ficou por cumprir Abril.

A ausência de um poder estável, hoje não temos qualquer órgão do Estado que esteja livre da instabilidade, é uma ameaça permanente à Liberdade e democracia. Não temos árbitro do jogo político, porque o árbitro é declaradamente de uma das equipas.

 

Nem todos os cargos políticos são escolhidos em eleições e isso não viola a democracia, pois a sua vitalidade, a sua sobrevivência, depende de um “lugar” que seja inviolável. Esse “lugar” é onde está cada um dos portugueses, venha de onde vier. Esse “lugar” é aquele ocupado pelo Rei dos Portugueses.

 

Abril só se cumprirá quando se sacralizar um poder estável, não ideológico, com a legitimidade histórica que lhe permita ser o guardião da Liberdade e da democracia.

 

Diogo Tomás Pereira

Membro da Comissão Executiva da Causa Real

 

 

 

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 O deputado socialista Ascenso Simões reconheceu na sua coluna da passada quarta-feira aqui no jornal i que a petição que por estes dias decorre online para a inclusão do Chefe da Casa Real Portuguesa no Protocolo de Estado “(…) não se apresenta recheada de problemas políticos ou institucionais, uma vez que D. Duarte é conhecido como herdeiro da coroa” e que “(…) o protocolo do Estado deve acomodar uma norma que permita aos mais altos representantes do Estado conferirem a D. Duarte, por tudo o que representa, uma dignidade única em circunstâncias especiais? A nossa opinião vai no sentido positivo.” Tirando a menorização dos monárquicos que pelos vistos Ascenso Simões execra, estamos de acordo com tudo o mais no seu artigo e é precisamente no sentido que afirma que a petição surge. De facto esta iniciativa não pretende "monarquizar" o regime republicano que nos coube em azar, e muito menos "republicanizar" a Instituição Real como receiam alguns monárquicos. A petição não pretende atribuir aos Duques de Bragança nenhum lugar na lista de precedências existente, essas constam do art.º 7.º da Lei e não se lhe pede alteração. O que se pede é que o representante dos reis de Portugal, quando convidado para qualquer cerimónia, nela tenha o estatuto honroso e digno, de "convidado especial", estatuto que não altera a lista das precedências do Protocolo. Implica apenas, e não é pouco, uma especialíssima relevância a conceder a um convidado que é, pelo que na verdade representa, “especial”. 

De resto as Reais Associações são por natureza e vocação uma “mixórdia”, no sentido de “misturada”, como lhes chama Ascenso Simões. Representam grupos heterogéneos, transversais, e por isso, talvez elas possam ser vistas pelos seus detractores como “mixórdias”. De facto as Reais Associações assentam na diversidade de que é feito o nosso país, nas várias regiões em que estão inseridas. Elas não se dirigem a um grupo em particular, facção ideológica, classe social ou elite cultural, antes se dirigem a todos os que não se conformam com a república a que chegámos em 1910 e que gostariam ver restaurados os valores permanentes da nossa portugalidade. Ora acontece que esses valores não sendo propriedade de ninguém, são seguramente protagonizados pelo Senhor Dom Duarte.
Finalmente, os defeitos que atribui aos monárquicos como eu, não nos impede de querermos ser cada vez mais e melhores. É por isso que estamos a trabalhar todos os dias.

 

Publicado originalmente aqui

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Bem vindo ao Blog daCausa Real, um contributo para discussão de um Portugal com futuro. A Causa Reall coordena, a nível nacional, o movimento monárquico, tendo como objectivo principal a promoção de uma alternativa política para Portugal.


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