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O professor Marcelo e o Tino de Rans

por João Távora, em 18.01.16

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Como a maioria dos portugueses e porque, com muita surpresa minha, as televisões prescindiram das audiências para se multiplicarem em debates televisivos, vou lançando um olho bocejante à campanha presidencial.

Ainda em tempo de pré-campanha assisti a um debate patético, mas curioso. O professor Marcelo aparentemente era chamado a esgrimir opiniões com alguns "descamisados" da política. Um sociólogo que para receber "secalhário" tem de se apresentar a eleições, um dirigente socialista que achou, e bem, que ganhava mais notoriedade em ler um papelucho de protesto e sair dali para fora, e o famoso representante do povo, uma espécie de Tiririca à portuguesa, também ele filiado no Partido Socialista que já tinha feito divertidas diatribes num congresso do partido, enquanto presidente de junta, eleito pela vetusta freguesia de Rans.

Pois o Tino, que, diga-se, não é parvo nenhum, foi o único que pôs o nosso professor em desatino. E fê-lo com aquele ar mavioso e inocente que só um homem do povo sabe pôr nas coisas.

Mas voltemos atrás. Quando se esperava que o professor esgrimisse, disputasse, debatesse, arguísse - vimos, ao contrário, um professor sorridente, camarada e amigo de todos e de tudo o que lhe pusessem à frente, trocando o florete pela flor branca da paz, dispondo-se a... debater não, que tem um verbo violento, mas talvez... "deabraçar" com todos os que estivessem naquela ou noutras alturas, naquela ou noutras televisões, em qualquer qualidade ou circunstância, dispostos a... "deabraçar" com ele!

Mas o Tino é um moço instintivo e percebeu que tinha de elevar a parada para ver até onde ia toda aquela besuntada lamechice que nem sequer está na natureza do professor.

E obrigou-o a dizer duas coisas reveladoras: A primeira, que um presidente que é designado por um partido podia, no exercício do seu mandato, ser tentado a favorecê-lo. Como se designado fosse muito diferente de apoiado. Como se, de um dia para o outro, se pudesse apagar da vida do professor o facto de ele ter sido fundador e presidente do maior partido português, aquele mesmo, claro, que hoje o apoia.

Pus-me a imaginar o professor ainda travestido de arguto comentarista televisivo a analisar o outro professor candidato a presidente: com um dedo a girar rodopiante para o lado direito diria - "Se foi presidente do PSD e é apoiado por ele vai favorecer o seu partido" - e com o dedo da outra mão, igualmente rodopiante para o lado esquerdo - "Se foi dirigente do PS e quer ser apoiado por ele, vai favorecer o seu partido!" -, terminando tudo com as mãos reconciliadas e o seu proverbial "Bom!".

Um a zero para o Tino, que levou o professor a concordar com a promiscuidade existente entre os partidos políticos e os dirigentes que fazem eleger, em especial para a Presidência da República. Ele, apesar de dirigente socialista, foi só presidente de junta. E de Rans!

Mas o professor não conseguiu ainda fugir a uma nova investida do menino do povo.

Falava ele na importância do papel que a sua (a do Tino) mulher teria enquanto primeira-dama; e sorria pelo canto do olho perscrutando a tossiqueira que já tomara conta do professor. E ali veio este, respondendo com o amor sincero que tinha a todas as mulheres do mundo, mesmo as do estado islâmico, mas reconhecendo que a ideia de uma mulher e de uma família era uma ideia própria da monarquia e não da república. Acabando secamente, de uma penada só, com o ilustríssimo trabalho desenvolvido pelas sucessivas primeiras-damas da democracia portuguesa desde há 40 anos. E com isso, claro, pondo a nu uma questão central: nem a república deve ir sorrateiramente surripiar à monarquia as características que dela não emanam - a independência e o suprapartidarismo e a afirmação de uma família como elemento agregador da nação e garante da sua identidade, coesão e notoriedade; nem as primeiras-damas que sucessivamente nos representaram o fizeram de uma forma legítima, muito menos quando tiveram, como tiveram, gabinetes com dezenas de assessores, consultores e outros advisers a gastar, prolongadamente, dinheiro gordo ao erário público.

Estão a ver o mesmo dedo rodopiante a dizer - "é eleito, tem legitimidade, pode gastar"; e o outro com a mesma inversa velocidade a significar "não é eleito, não tem legitimidade, não pode gastar - Bom!"

O Tino, homem ladino do povo, ganhou por dois a zero, principalmente porque não teve a hipocrisia de dar à República os méritos que ela não tem!

 

António de Souza Cardoso

Presidente da Causa Real

In Diário de Notícias a 18 Jan. 2016

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Pecados de um Presidente da Republica

por João Távora, em 14.11.15
  1. Coisas em que nunca pensou?

O impasse político que se instalou em Portugal é apenas um caso paradigmático de como tudo seria mais fácil se o Chefe de Estado não fosse um Presidente da República.

Não, não estou a falar de anarquismo. Estou mesmo a falar de Monarquia. Sei que há quem queira confundir monarquia como uma alternativa à democracia, com passadismo ou elitismo. Mas julgo que a maioria dos portugueses sabe que as democracias mais qualificadas e modernas do mundo são monarquias e, ao invés, as piores ditaduras que conhecemos são repúblicas.

Resta sempre, claro, aquele cansado argumento de que em Monarquia, não escolheríamos o Chefe de Estado. Mas também não escolhemos o Tribunal Constitucional (tão decisivo hoje no discurso politico de alguns), o Presidente da A.R, o Presidente do Supremo Tribunal ou o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas e, como ficou esclarecido na actual crise política, para surpresa de muitos …., o próprio Primeiro-Ministro!

 No limite, e vale sempre a pena recordar isso, também não escolhemos a Republica que nunca foi sufragada pelos portugueses.

Talvez existam coisas que os portugueses não sabem:

Sabem que em 1910, a Revolução Republicana nada teve de libertador? Já existia parlamento, já existiam partidos, já existiam eleições? Sabem quanto votos teve o partido republicano no último acto eleitoral antes da revolução violenta que impôs a república? 7% !!! Estaria, nos tempos de hoje, entre o PAN e a CDU!; Sabem que uma das primeiras medidas da República foi precisamente a de restringir o sufrágio, limitando o poder de voto principalmente às mulheres? Sabem, finalmente, que a 1ª República foi uma anarquia total, a 2ª uma ditadura de 48 anos e a 3ª aquela que temos, com todas as suas contingências?

Todas estas coisas, incluindo a Chefia de Estado, talvez mereçam ser reflectidas num tempo como este.

  1. Os Pecados do PR!

Escrevo, claro, antes do veredicto final do PR. Mas o facto é que qualquer que seja a sua decisão estará sempre ferida de morte por um pecado original oriundo da própria natureza da sua função. Um estigma, tão essencial, que bastará para a desqualificar qualquer que ela seja.

O PR, foi Presidente de um dos partidos políticos que hoje lidera um dos lados por quem terá que decidir. Foi, mais do que uma vez eleito, para chefiar o Governo por influência do mesmo partido que também o ajudou a ser eleito Presidente da República. Tudo, perante a permanente oposição do partido por quem terá também que decidir.

O que quer que o PR venha a fazer, estará ferido de morte por este pecado de ser parte num jogo que ele próprio tem que arbitrar. Tem que ser “juiz em causa própria” e isso, independentemente do mérito, desqualifica e liquida o seu juízo final.

O PR tem outros pecados: Para além da falta de isenção e de equidistância exigidas para poder exercer as suas funções constitucionais, o PR é ainda um Chefe de Estado adventício que nunca será chamado a responder por um mau juízo, por uma má decisão. Porque…, já lá não estará!

Ainda um pecado final: Porque já não estará lá, a Constituição impede o PR de fazer o que poderia ser uma boa (?) solução: Dissolver a Assembleia e convocar novas eleições.

Neste momento difícil era crucial que o Presidente da República representasse todos os Portugueses. Pudesse ser essa referência de valor. Mas não é! Porque a sua natureza constitui o seu pecado original que, neste caso tão decisivo para a vida dos portugueses, será também o seu pecado mortal.

 

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 António de Souza-Cardoso

Presidente da Causa Real

In Expresso, 14 de Novembro 2015

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Sobre o perfil do chefe de Estado

por João Távora, em 20.10.15

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A discussão da chefia de Estado não deveria radicar tanto no perfil do fulano, mas antes no cargo e no seu enquadramento no sistema político: a eficácia depende desse desenho e do prestígio duma instituição que potencie as qualidades da pessoa que o corporiza.

Pretender-se que depois de eleito presidente um líder da facção esquerda ou direita, uma amnésia se apodere das pessoas, de modo que nele vejam um homem isento que abarque os ensejos da Nação é no mínimo uma rotunda fraude de que há muito somos reféns. 
Confiar no julgamento desse homem só, por exemplo, o ónus de implodir um organismo colegial eleito como o parlamento é quase idolatria. A república semipresidencialista está construída para a conflitualidade institucional - temos aquilo que merecemos. Como poderá Portugal voltar a emparceirar com a elite das nações europeias e evitar o decadente espectáculo de uns quantos galarotes e seus prosélitos acotovelando-se ávidos para a cadeira de Belém?

A exemplo do que acontece nos países mais desenvolvidos da Europa, só a instituição real pode ambicionar representar a nossa identidade e unidade transgeracional como Nação de 900 anos de história, sem clientelas, independente dos calendários eleitorais.

Publicado originalmente no Diário Económico

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Da República e da Monarquia

por João Távora, em 23.08.15

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 Tivemos três Repúblicas até agora. A primeira de 1910 até ao golpe de estado de 1926, a segunda daí até ao 25 de Abril de 1974, a terceira, desde 74 até agora. Pela sua sucessão tumultuosa, pela presente e cavada crise, pelo sempre frustrado desenvolvimento social, torna-se evidente a necessidade de uma revisão.

Algumas das mais nefastas experiências do nosso passado político, é verdade, foram erradicadas. A desordem social e política da Primeira República não se sucedeu na seguinte formulação e, na Terceira República, não houve tanta perseguição aos adeptos da segunda. As formas extremadas de combate político foram, felizmente, subtraídas da nossa convivência. No entanto, durante mais da metade do século XX assistimos às réplicas dessas formas de combate político, sobretudo pela via das ditaduras à esquerda e à direita.

A meu ver, a tolerância política e cultural e a consequente convivência democrática são as heranças mais belas e frutíferas deste passado de cem anos, e os seus inversos - a intolerância, o individualismo político e o revolucionarismo - que foram as causas graves pelas quais a Europa e a sociedade portuguesa mais sofreram nos séculos XIX e XX, estão erradicados.

Hoje, convivemos democraticamente, sem que as maiorias esmaguem a voz e as práticas das minorias, a nossa sociedade é plural, mas há muito se tornou evidente a falta de uma organização no sistema político democrático conveniente à eficácia de seus propósitos. É necessário continuar com firmeza o que politicamente se tem mostrado eficaz, mas é também necessário sermos capazes de uma profunda reestruturação, para ganharmos a eficácia perante os objetivos da democracia e para que a continuidade do desenvolvimento social se torne irreversível. Quanto se perdeu em esforço e dinheiro pelo caminho das ziguezagueantes políticas acerca do que é fundamental (Saúde, Educação, Justiça)? Enquanto reformulamos a nossa existência social e cultural para uma nova sociedade e uma nova economia, temos de realizar referências estáveis ao nosso viver democrático, de outro modo, continuará o que tem sido geralmente expresso como problema: desconfiança, desemprego, baixa produtividade, corrupção, etc..

Porém, considero que a democracia portuguesa alcançou uma idade de passagem. Para transformarmos a situação presente, que envolve problemas sociais e económicos muito graves e, sobretudo, prolongados, para operar as transformações requeridas pelas várias expetativas do tecido social, a nível nacional e na pertença à União Europeia, as respostas adequadas terão de ser perspetivadas, já não com remendo sobre remendo, mas por uma profunda resposta democrática e por uma democracia melhor.

O desenho estrutural da política doméstica revela incompletude. As frequentes irresoluções, dilações e retornos não advêm do diálogo democrático mas de, digamos, oscilações, ora administrativas ora políticas. As reformas e as regulações não têm sido nem ágeis nem faseadas a longo prazo, de modo a suavizar inconvenientes delas derivadas. Deste modo, sem uma perspetiva institucional de longo prazo, o custo das mudanças é maximizado e, assim, muitas vezes, a eficácia da democracia é intermitente.

E enquanto os recursos e as circunstâncias oscilam, os objetivos são dispersados.

É, por isto, necessário adicionar na sociedade portuguesa uma instituição, apartidária, independente de interesses económicos, representante do todo nacional: a Instituição Real, propiciadora da permanente conversação democrática visando consensos estratégicos, sem os quais, todos os esforços se esvaem.

 

Pedro Furtado Correia no Diário de Notícias

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Como devolver a dignidade à Chefia de Estado?

por João Távora, em 18.08.15

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Como poderá Portugal voltar a emparceirar com a elite das nações europeias e evitar os tristes espectáculos dos protocandidatos com as suas clientelas e partidos acotovelando-se ávidos para a cadeira de Belém? Acontece que só a instituição real pode ambicionar representar a nossa identidade e unidade transgeracional como Nação, sem clientelas, para além e aquém dos calendários eleitorais. Acontece que Portugal, nação antiga de quase 900 anos de história, possui, como a maior parte dos Países mais civilizados da Europa, uma Casa Real que corporiza Coroa Portuguesa velha como a nossa História. Refirmo-me a S.A.R. Dom Duarte, Duque de Bragança, que em 2006 o Estado português validou como o único e legitimo herdeiro do trono da nossa Pátria ancestral. O que justifica nesta corrida tanto sectarismo, ganância e intriga?

Desenho José Abrantes

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A narrativa

por João Távora, em 24.06.15

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A vista aqui da varanda da sede da Causa Real no Largo Camões de pouco mais de uma dúzia de sindicalistas a verberar em frente a impressionante bateria câmaras fotográficas e de filmar é uma trágica parábola sobre a ficção “democrática” em que vivemos. Assim não vamos longe, não.

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Ainda a jihad republicana e os suicidas

por João Távora, em 28.05.15

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No dia da inauguração do Museu dos Coches, a TVI transmitiu o telejornal a partir do tal museu. Problema? O final deste telejornal especial funcionou como uma legitimação do assassínio enquanto arma política. Depois de mostrar os orifícios que as balas de Buíça deixaram no coche do Rei D. Carlos, o pivot José Alberto Carvalho considerou que o regicídio (1908) é apenas “uma data considerada funesta pelos monárquicos”. Ficámos assim a saber que o assassínio de D. Carlos e de D. Luís Filipe não deve inquietar mais ninguém a não ser os monárquicos, esse bando de reaças inconsequente; ficámos assim a saber que os outros, os bons, os justos, os não monárquicos, não devem sentir culpa ou horror pelo assassínio do rei e pela instauração de um clima de medo e violência que durou até 1926, ou melhor, que durou até 1974. Como se isto não fosse suficiente, José Alberto Carvalho prosseguiu com a canonização de Manuel Buíça, o assassínio elevado a sonhador e, coitadinho, pai extremoso. O responsável pela informação da TVI leu a carta-testamento de Buíça; nessa missiva, o assassino pedia a familiares e amigos que educassem os seus filhos órfãos segundo os princípios da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Não satisfeito este altar carbonário e maçónico, José Alberto Carvalho estabeleceu ainda uma ligação entre o sonho de Buíça e o sonho de hoje: “E ainda hoje curiosamente mais de um século depois, estes princípios republicanos e humanitários são ainda objecto de debate. O que queremos e o que estamos dispostos a fazer pelos nossos jovens é o tema de um debate na TVI 24 (...) Está sempre tudo por dizer em relação ao sonho e à mudança”.

Vou deixar de lado a hipótese do incentivo directo à violência política.  Vou apenas falar de uma curiosa tendência: os defensores da Liberdade e Igualdade em abstracto têm o estranho hábito de matar a liberdade e a igualdade concreta de pessoas concretas. Em 1908, a monarquia constitucional portuguesa era semelhante às suas congéneres europeias. Vivíamos em liberdade. Buíça e demais jagunços do PRP podiam escrever e dizer o que bem quisessem, podiam concorrer a eleições, até podiam conspirar abertamente nos cafés de Lisboa. O sonho de Buíça podia e devia ter sido canalizado através das armas da liberdade, jornais e parlamento. Buíça recorreu à violência porque os nossos republicanos, como se viu entre 1910 e 1926, não toleravam o jogo parlamentar, não toleravam opiniões contrárias, queriam um regime que fosse propriedade privada da sua ideologia radical. E assim foi.  D. Carlos e D. Luís Filipe foram apenas as primeiras vítimas mortais da jagunçada republicana: seguiram-se padres em Lisboa e anarquistas no Alentejo, entre outros. Tal como os salazaristas, os buíças recorreram ao assassínio, ao espancamento, à purga violenta de jornais, à repressão de greves e cortaram para metade o número de pessoas com direito a voto. Não, a I República não foi republicana no sentido correcto e kantiano do termo. A I República foi a primeira experiência autoritária e violenta do nosso século XX, irmanando com a II República (Estado Novo) e não com a nossa III República.

No fundo, José Alberto Carvalho procurou idealizar uma monarquia ditatorial que encaixasse neste conto de fadas revolucionário: a monarquia, ora essa, não passava de um simulacro de Estado Novo, um salazarismo sem Salazar, portanto, o golpe de 1910 foi uma espécie de primeiro 25 de Abril e o assassínio de D. Carlos correspondeu à legítima eliminação do Salazar monárquico. Das duas, uma: ou José Alberto Carvalho não sabe ou José Alberto Carvalho é um radical com carinha de anjo. Ou não sabe que a I República foi uma experiência política violenta e inimiga das liberdades e, por isso, deixou-se levar por uma cantilena que tem tanto de ignorância como de boa vontade pronto-a-vestir; ou conhece a história e de forma consciente defendeu um bando radical que não hesitava em recorrer ao assassínio enquanto forma de acção política. Ou seja, aquele telejornal foi um momento de ignorância confrangedora ou um momento de radicalismo inaceitável. 

 

 "J. A. Carvalho, ignorância ou radicalismo" - Henrique Raposo Expresso Diário, terça feira

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 Hoje é dia de comprar a edição de fim-de-semana do jornal i que apresenta um dossier de 10 páginas sobre as monarquias europeias e a Causa Real em Portugal. Inclui além de uma entrevista ao seu presidente Luís Lavradio e ao Chefe da Casa Real portuguesa, SAR Dom Duarte, Duque de Bragança, além de depoimentos de figuras públicas como Isabel Meireles, Paulo Teixeira Pinto, José Adelino Maltez, Augusto Ferreira do Amaral e o indispensável Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles.

 

 

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Por causa de Portugal

por João Távora, em 21.04.15

 

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A militância monárquica jamais poderá ser encarada como uma questão binária, de tudo ou nada, dependente de resultados absolutos. Deverá antes ser motivada pela afirmação das nossas convicções, porta a porta, alma a alma, dos valores da pátria portuguesa reflectida na centenária Instituição transpolítica, reserva moral dum Povo e do seu espírito, a personificação da pátria comum. Porque cada mente arrancada à ignorância, ou alma desperta para a dúvida, significa um pequeno mas essencial passo no caminho para um País menos inóspito, com direito à esperança.

 

Para se associar a uma estrutura da Causa Real deverá contactar aquela que estiver geograficamente mais perto da sua área de residência. Verifique aqui

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A propósito de reformas do sistema político

por João Távora, em 08.04.15

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A propósito deste interessante artigo de Manuel Vilaverde Cabral sobre a presidência da república e a reforma do sistema político em Portugal, e no que refere ao embaraço que representa o actual modelo de Chefia de Estado, convém ressalvar que, sendo a democracia pela sua natureza um sistema autofágico que vive do híper mediatizado e permanente conflito de facções e interesses, ela expõe as instituições nacionais a uma sistemática e perigosa erosão. Por isso requer este regime um órgão de soberania acima de todas as questiúnculas, capaz de, no topo da pirâmide, representar e congregar todas as partes da Nação. Uma instituição que, por ser hereditária, não tomou partido por qualquer facção nem depende de interesses políticos ou económicos. Essa instituição é o Rei, que tem a capacidade de consolidar o sistema, como o comprovam os exemplos dos países mais evoluídos e livres da Europa que são monarquias. De resto, Portugal tem o privilégio de uma Nação com quase 900 anos que possui uma incontestada Casa Real com comprovados pergaminhos no que respeita ao que é mais importante – o amor à Pátria.

 

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Quem somos?

Bem vindo ao Blog daCausa Real, um contributo para discussão de um Portugal com futuro. A Causa Reall coordena, a nível nacional, o movimento monárquico, tendo como objectivo principal a promoção de uma alternativa política para Portugal.


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