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Carta ao Dr. Ascenso Simões

por Causa Real, em 28.03.18

 

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O Dr. Ascenso Simões, ilustre deputado eleito nas listas do Partido Socialista, escreve no Jornal Público no dia 27 de Março, a pretexto dos 210 anos da chegada da Corte portuguesa ao Brasil, uma carta dirigida a D. Duarte Pio que, no caso, serve apenas pararelevar a importância que pode assumir a Instituição Real, mesmo em Países que deixaram de ser Monarquias.

 

Tive a honra de convidar e receber o Dr Ascenso Simões no último Congresso da Causa Real. E o tema, aberto ao público,sobre o qual foi convidado a falar, era precisamente o valor que para Portugal tem, independentemente do regime, uma Instituição que representa a nossa identidade cultural e histórica, quase milenar. E a disponibilidade que a esse propósito a Casa de Bragança tem permanentemente dispensado a Portugal e aos Portugueses.

 

Apesar de algumas contradições desta carta que começam nos equívocos duma inexistente dúvida sobre direitos sucessórios. Apesar da afoita ousadia em sublinhar os méritos sufragistas da República (“directos e indirectos”), sem qualquer referência à anarquia - com conhecida restrição do sufrágio da primeira república e da ditadura de quase meio século da segunda república. Apesar de tudo isso, julgo que o Dr. Ascenso Simões é, no actual quadro político partidário, o republicano mais monárquico que eu conheço.

Compreende-se que o preconceito fundacional do Partido onde milita não lhe permita mais do que estes laivos confessos de “roialismo”, mas parece-me que a preocupação que denota com este tema é já de si, não só meritória, como concordante com aquela que o Movimento Monárquico tem defendido nos últimos anos.

 

Vamos passar por cima dos atavismos, naftalinas e outros qualificativos que o Dr. Ascenso Simões sublinha para caricaturar aquilo que também poderíamos fazer com o preconceito republicano. Existem, de facto, monárquicos que não dão bom testemunho da modernidade da alternativa de regime que defendem como, os poucos arreigados republicanos que conheço são as mais das vezes gente perdida em conceitos ou preconceitos que caíram muito antes do muro de Berlim e continuam a insistir numa ética cujos contornos eles próprios não sabem caracterizar.

 

O Dr. Ascenso Simões, como insigne historiador, sabe que a implantação da república foi uma revolução violenta iniciada com o assassínio do Chefe de Estado. Também sabe que não foi libertadora de nada e que foi feita em nome de um partido republicano que nas últimas eleições parlamentares existentes (sim, havia eleições e parlamento) terá logrado atingir menos de 10%dos votos. O Dr. Ascenso Simões sabe, ainda, que Democracias com maiores níveis intrínsecos de qualidade, medidos pelo desenvolvimento social e económico e pelo bem-estar dos seus cidadãos, são em todo o Mundo, Monarquias. Como, ao contrário, também sabe que as mais severas ditaduras do Mundo vivem na forma republicana de regime.

O Dr. Ascenso Simões, para não me alongar demasiado, sabe também que não precisávamos de mudar nenhuma vírgula à actual Constituição Portuguesa, para percebermos que as funções constitucionais cometidas ao Chefe de Estado seriam melhor exercidas por um Rei - pela isenção e independência que lhe são naturais na regulação de poderes entre os restantes órgãos de soberania; pela forma agregadora e única como junta a Nação, numa identidade histórica, cultural e afectiva que lhe são próprias; pela notoriedade e continuidade que decorre da natureza do exercício das suas funções que lhes permitem uma mais forte representação e uma mais eficaz negociação no plano externo; pela estabilidade que conferem ao Estado e às Instituições Democráticas em que este assenta; pela experiência de que se socorrem para o exercício de funções com tão grande grau de exigência e de serviço…

O Dr. Ascenso Simões sabe isso tudo, para além dos atavismos de uns, ou das frivolidades e oportunismos de outros.

 

Mas o que vale a pena relevar de tudo quanto afirma o Dr. Ascenso Simões é a lúcida preocupação que tem em encontrar uma relação de reciprocidade formal entre a disponibilidade sempre demonstrada pela Família Real perante o Estado Português e o reconhecimento pelo mesmo Estado da relevância desta generosa disponibilidade e da força imanente de um referencial histórico e cultural que é, afinal, de todos os Portugueses.

E, por isso, prefiro aplaudir, caro Dr. Ascenso Simões, a coragem que demonstra em trazer para a relevância desta discussão pública, a responsabilidade do Estado em reconhecer formalmente o significado histórico e cultural da nossa Família Real e o papel inequívoco de entrega e dedicação que Dom Duarte Pio tem devotado a Portugal e aos Portugueses.

 

António de Souza-Cardoso

Presidente da Causa Real

(o autor não escreve segundo as normas do acordo ortográfico)

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editado por João Távora às 16:11

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PORTUGAL E O TRIUNFO DO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

(Homilia na Igreja de São Vicente de Fora, 1 de Fevereiro de 2018)

 

1. Introdução.Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos” (Mc 7-13). Este feliz epílogo ao trecho do Evangelho, agora proclamado, enche-nos de esperança, mas também de responsabilidade. De esperança porque, doentes como todos somos, senão no corpo pelo menos na alma, a certeza de que também agora o Senhor, através da sua Igreja, nos pode e quer curar, enche-nos de alegria. De responsabilidade porque, se aqui nos encontramos, é porque fazemos parte do grupo dos apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo, o que quer dizer que também a nós incumbe a missão de partir e pregar o Evangelho, com a palavra e sobretudo com o exemplo, expulsando os demónios e curando os muitos doentes que nos esperam.

 

2. Cumprimentos. Mais uma vez, um grupo numeroso de patriotas se encontra neste templo, para sufragar Sua Majestade Fidelíssima el-Rei D. Carlos I e Sua Alteza o Príncipe Real, Dom Luís Filipe que, num dia como o de hoje, há cento e dez anos, foram barbaramente assassinados no Terreiro do Paço.

 

Se é verdade que a augusta presença de Suas Altezas Reais, os Duques de Bragança, confere a este acto um carácter político, de afirmação da Instituição Real, que me apraz registar, também a título pessoal, é igualmente certo que o alcance desta efeméride vai para além da sua expressão monárquica, na medida em que reveste um carácter patriótico e espiritual. O regicídio não apenas enlutou a Família Real, como ofendeu toda a nação portuguesa que, na pessoa de el-Rei tinha o mais excelso símbolo da sua grandeza e, no Príncipe Real, a garantia da continuidade da dinastia reinante. Ao ser ungido, o monarca exerce uma espécie de sacerdócio que o configura com a pátria, de que é expressão viva, por virtude daquele poder que, por vir do alto, é sagrado. Não estranha, portanto, que o acto criminoso perpetrado contra o soberano seja, para a moral católica, comparável ao sacrilégio: para além do desrespeito pelo dom da vida humana, é também uma particularmente grave ofensa a toda a nação e a Deus, de quem procede todo o poder.

 

Esta liturgia pretende sufragar as almas das vítimas reais do regicídio, mas incluem-se também nesta prece aqueles que lhes eram mais próximos: em primeiro lugar, Sua Majestade a Rainha D. Amélia, que nesse trágico lance perdeu o seu augusto marido, o Senhor D. Carlos I, e o seu filho primogénito, o Príncipe Real. Também é especialmente evocado el-Rei D. Manuel II que, por virtude desse penoso acontecimento, foi tragicamente chamado para a missão de dar continuidade à Casa de Bragança, no trono de Portugal.

 

Embora extinto, na varonia, esse ramo da dinastia, prossegue agora nos Senhores Duques de Bragança a chefia da Casa Real portuguesa: sobre eles recai também a glória da representação de todos os Reis de Portugal e a responsabilidade de dar seguimento ao ideal monárquico, na fidelidade aos princípios cristãos que forjaram, desde a sua fundação, a nacionalidade portuguesa. Para esse efeito, não lhes faltarão as copiosas bênçãos da Providência, mas decerto agradecerão o apoio da nossa oração, para que continuem a honrar, como até hoje sempre fizeram, a tradição histórica que tão exemplarmente encarnam, na sua louvável fidelidade à missão espiritual que compete a Portugal. 

 

Cumprimento também o Senhor Presidente da Real Associação de Lisboa, a quem devo a honra de presidir a esta Eucaristia, a direcção da Causa Real, os membros das Ordens pontifícias de São João de Jerusalém, dita de Malta, e do Santo Sepulcro, meus estimados Confrades, e os Cavaleiros e Damas das Ordens dinásticas de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e de Santa Isabel. Saúdo igualmente todos os outros fiéis presentes, recomendando-me às suas orações.

 

3. A monarquia e a tradição.Ao aproximar-se o dia da sua morte, David ordenou a seu filho Salomão: ‘Vou seguir o caminho de todos os mortais. Tem coragem e procede como um homem. Guarda os mandamentos do Senhor, teu Deus” (1Reis 2, 1-4).

 

Quando chegou ao termo natural da sua vida terrena, o Rei David, que sucedera ao Rei Saúl, determinou que o seu filho Salomão lhe sucedesse no trono de Israel e assim assegurasse a continuidade da dinastia davídica.

 

A sucessão familiar na chefia de Estado é uma característica própria das monarquias, que é de grande conveniência para a paz e unidade nacional. De certo modo, no regime monárquico, nenhum rei o é a título meramente individual mas familiar, na medida em que o é por herança de seus maiores. De certo modo, poder-se-ia até dizer que é a família que reina, cabendo a cada monarca apenas o exercício da realeza no período intermédio do seu reinado, depois da geração que o antecedeu e antes do monarca que lhe sucederá. Esta continuidade familiar no exercício do poder real sublinha a sua função ministerial e histórica: o soberano serve a pátria e a unidade nacional, devotando a sua vida inteira à sua chefia e representação, mas sempre de acordo com a tradição, ou seja, respeitando uma cadeia de gerações que o antecederam e que, depois dele, lhe deverão suceder.

 

Segundo a etimologia, tradição é entrega: a traditio romana era a entrega que se fazia de alguma coisa que, por regra, simbolizava o bem transaccionado. O monarca recebe de seus antecessores um legado histórico, que deve conservar e depois transmitir às gerações vindouras. O conceito de tradição está unido ao de unidade e de identidade nacional e opõe-se, por assim dizer, ao de revolução, que pressupõe sempre uma ruptura com o passado, quase uma refundação nacional. Neste sentido, a monarquia afigura-se como a forma de Estado que é mais respeitadora da tradição histórica e da identidade nacional, sobretudo quando a dinastia, como é o caso de Portugal, é a mesma desde a fundação da nacionalidade.

 

4. Nacionalidade portuguesa e espiritualidade cristã. Mas não basta que haja uma continuidade histórica, é necessário que se preserve a identidade espiritual que nos define como nação.

 

Algo semelhante acontecia com o reino de Israel, que não era apenas mais um Estado da Ásia Menor, mas o povo escolhido, o povo de Deus. Por isso, o Rei David, de quem descenderá o esperado Messias, encarece ao seu filho Salomão, seu sucessor no trono, a fidelidade a todos os preceitos divinos: “Guarda os mandamentos do Senhor, teu Deus. Segue os seus caminhos, cumprindo os seus preceitos, estatutos, normas e decretos, conforme está escrito na lei de Moisés. Assim serás bem sucedido em todas as tuas obras e empreendimentos e o Senhor cumprirá a promessa que me fez: ‘Se os teus filhos procederem bem e caminharem fielmente na minha presença, com todo o coração e toda a alma, nunca te faltará um descendente no trono do Israel’ ” (1Reis 2, 1-4. 10-12).

 

Talvez, do ponto de vista teórico, seja possível conceber monarquias sem qualquer conotação espiritual, mas esse nunca poderá ser, decididamente, o caso de Portugal, ao qual a Santa Sé, por causa da indefectível união dos nossos monarcas à sede petrina, em boa hora lhes concedeu o tratamento de Majestades Fidelíssimas. Se porventura a nossa monarquia deixasse de ser cristã, também deixaria de ser, de algum modo, tradicional e genuinamente portuguesa. Com efeito, a nossa nacionalidade sempre esteve unida à espiritualidade cristã, desde D. Afonso Henriques e até ao último dos seus sucessores no trono lusitano. Se a monarquia lusitana deixasse de ser cristã, deixava também de ser tradicional e portuguesa.

 

O declínio da civilização europeia deve-se, em boa parte, ao inverno demográfico, mas também à passividade ideológica em relação a outras culturas e religiões. Neste contexto europeu, em que o nosso país também está integrado, não será excessivo sublinhar a necessidade, senão mesmo a urgência, de afirmar a identidade cristã de Portugal. Se o islamismo pôde avançar em tantos países da velha Europa, não foi apenas porque muitos fiéis muçulmanos emigraram para o velho continente e aí se estabeleceram, trazendo consigo a sua cultura e a sua fé. Uma tal involução cultural e religiosa só pôde acontecer porque os novos ‘colonizadores’ ocuparam um espaço que a tibieza de muitos europeus deixara vazio.

 

A crise da Europa não é apenas económica, demográfica ou cultural, mas sobretudo espiritual: se o Cristianismo estivesse vivo e vibrante nos países que receberam o primitivo anúncio do Evangelho, não seriam os refugiados islâmicos a impor a sua crença, convertendo em mesquitas as velhas igrejas, mas os cristãos que, aproveitando este movimento migratório, proporiam aos fiéis de Alá, com a palavra e sobretudo o exemplo e respeitando sempre a liberdade das suas consciências, a fé redentora em Jesus Cristo Nosso Senhor.

 

5. Conclusão. No ano findo, foi com alegria que agradecemos a Deus o primeiro centenário das aparições marianas em Fátima, bem como a canonização, pelo Papa Francisco, na Cova da Iria, dos videntes Francisco e Jacinta Marto.

 

Neste ano de 2018, ocorre um outro centenário, que é feliz por ser o do fim da primeira Guerra Mundial, mas que é trágico também, por ser o do termo de quatro grandes impérios envolvidos nessa contenda: o otomano, o austro-húngaro, o alemão e o russo. A essa catástrofe europeia está associada a queda das respectivas monarquias, bem como o martírio da família imperial russa, impiedosamente assassinada pelos defensores da soviética ditadura do proletariado.

 

Para além destas trágicas memórias, ressalve-se uma lembrança gloriosa: a do Beato Carlos, último imperador austríaco que, por uma muito feliz circunstância, veio a nascer para a vida eterna na ilha da Madeira, onde os seus restos mortais se veneram na Igreja de Nossa Senhora do Monte. Sua viúva, a Imperatriz Zita, cujo processo de beatificação também está em curso, era neta de el-Rei D. Miguel I, pelo que também por esta via se reforça a relação do Beato Carlos com Portugal.

 

Sem querer reeditar a utopia do quinto império, tão cara ao nosso Padre António Vieira, imperador da língua portuguesa, na feliz expressão do vate, permitam-me que faça do sonho de uma nova era cristã a prece final desta homilia. Talvez Fátima, a localidade portuguesa curiosamente homónima da filha do profeta islâmico, encerre ainda uma surpresa: a da conversão a Cristo dos seguidores de Maomé! Quem sabe se, no cumprimento desse desígnio, esta terra de Santa Maria, em que a Senhora mais brilhante do que o Sol prometeu que nunca se perderia o dogma da fé, não tem ainda uma missão profética a cumprir!

 

Por graça e devoção de el-Rei D. João IV, Nossa Senhora da Conceição é, desde 1646, nossa Padroeira e Rainha. Que seja de novo Portugal, sob a égide da Casa de Bragança, o instrumento da Providência para a realização do prometido triunfo do Imaculado Coração de Maria!  

 

Assim seja!

 

P. Gonçalo Portocarrero de Almada

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Não esqueceremos!

por João Távora, em 02.02.18

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Em Portugal, o fim da monarquia constitucional representou assim, no princípio do século XX, um enorme recuo da democracia, não só no que diz ao número de eleitores, mas na possibilidade de alternância de partidos no governo por meios pacíficos. Pode-se dizer que a morte de D. Carlos abriu o caminho para o autoritarismo em Portugal.

 

(...) Em suma, D. Carlos não foi rei de um regime condenado, mas de um regime que, devido à história portuguesa no século XIX, dependia inteiramente da habilidade e da sorte do rei para levar a classe política a aceitar a disciplina e os compromissos necessários para tornar possível o governo constitucional. D. Carlos, que era realista e prudente, mostrou quase sempre habilidade, mas no fim faltou-lhe sorte. É muito provável que, não tivesse morrido em 1908, a monarquia tivesse durado, porque a sua queda se deve em parte à política da rainha viúva e de D. Manuel.

Finalmente, qual o significado da opção entre a monarquia e a república em 1910? Não era a opção entre monarquia e democracia. Nem a monarquia constitucional nem a república contaram com uma massa de cidadãos independentes, capazes de serem o árbitro da luta pelo poder. A diferença estava em que, na monarquia, havia um instrumento, que era o rei, para operar a alternância pacífica no governo entre os partidos, e que na república deixou de haver esse instrumento. Por isso, a Primeira República portuguesa, depois de 1910, foi um regime dominado por um partido – o Partido Democrático — que nunca saiu pacificamente do poder. Em 1913, aliás, para melhor controlar as eleições, o Partido Democrático restringiu o direito de voto da população, fazendo a percentagem de cidadãos com direito de voto descer de 75% para 30%.

Em Portugal, o fim da monarquia constitucional representou assim, no princípio do século XX, um enorme recuo da democracia, não só no que diz ao número de eleitores, mas na possibilidade de alternância de partidos no governo por meios pacíficos. Pode-se dizer que a morte de D. Carlos abriu o caminho para o autoritarismo em Portugal.

 

Rui Ramos  "D. Carkos e o Fim da Monarquia em Portugal" a ler na integra aqui

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editado por Causa Real a 8/2/18 às 10:10

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Gonçalo Ribeiro Teles é um Homem do nosso tempo.

 

Depois de uma vida inteira dedicada à Causa Pública, Gonçalo Ribeiro Telles foi, finalmente, homenageado pelo Estado Português! Não sei se pela má consciência dos desastres ambientais de tão trágicas consequências para os Portugueses, se pelo frenesim com que o nosso Presidente da República agracia portugueses mais ou menos distintos?

Acho que este tardio e justíssimo reconhecimento do Estado foi felizmente precedido, de há muito tempo, por um alargado e sincero reconhecimento dos Portugueses. De todos os Partidos Políticos, de todas as sensibilidades socioculturais. Da Nação de que tantos não gostam, por puro preconceito, de falar.

 

Hoje, digo-o sem nenhuma satisfação, tem mais valor falar de “Sentido de Nação” – de gostar de ser português e de cumprir a seu dever de cidadania ao serviço dos portugueses, do que “Sentido de (um) Estado” que não temos a certeza se é “de bem” mas que temos comprovadamente a convicção de que não faz bem, em tantas áreas importantes da sua intervenção. E é por isso que entendo que Gonçalo Ribeiro Teles é um homem com Sentido de Nação! A tal que lhe deu o merecido e sincero reconhecimento, antes do próprio Estado.

 

Gonçalo Ribeiro Teles, enquanto político distinguiu-se sempre pelo que mais tem faltado hoje às classes dirigentes – o sentido de ética, de responsabilidade e de compromisso!

 

A verdade é que Gonçalo Ribeiro Teles foi mais do que um grande dirigente político e um grande cidadão. Foi o Precursor das mais importantes políticas agro-ambientais aplicadas em Portugal e foi teimosamente pioneiro, no permanente alerta às autoridades públicas dos muitos erros cometidos por tantos Governos na preservação, ordenamento, desenvolvimento e qualificação do Território no sentido pleno da palavra!

Gonçalo Ribeiro Teles foi o primeiro “Verde”, por consciência e cidadania, antes de existirem sequer os Verdes por oportunidade política!

E não foi um pioneiro por qualquer arte de adivinhação ou por uma cultura do pessimismo fatalmente portuguesa. Mas antes por ser um dos maiores conhecedores mundiais desta tão importante área do saber – o conhecimento desse extraordinário Mundo Vivo onde todos queremos estar bem!

Foi um Ecologista inteiro – da Terra onde vivemos, da Humanidade que somos e do que é necessário fazer para que estas duas realidades se harmonizem.

Gonçalo Ribeiro Teles foi talvez o primeiro “Ecologista Politico” que sempre soube da urgência permanente de aproximar a “Ecologia da Terra” da “Ecologia Humana”.

 

Também na defesa da Instituição Real e da forma Monárquica de regime foi um dos primeiros pioneiros da nossa Democracia. Porque antecipou, antes de quase todos, que seriam as Monarquias os regimes que melhor defenderiam as Democracias do futuro. Vejam simplesmente quais são na actualidade as grandes Democracias as grandes Ditaduras do Mundo e terão uma amostra aproximada do que Ele, também aqui, antecipou!

 

É assim um Apóstolo da Modernidade – de uma modernidade que nos deve fazer pensar, apesar de, como Ele, corrermos o risco de termos razão antes do tempo!

A minha homenagem a este Apóstolo da Modernidade que tão justamente recebe, por feliz coincidência (?) a Ordem do Infante Dom Henrique, outro dos mais célebres precursores da História de Portugal. Aquele de quem Fernando Pessoa dizia ter sido primeiro grande “Globalizador”, o primeiro homem no Mundo que juntou Continentes depois da Glaciação!

Ao Apóstolo da Modernidade - Gonçalo Ribeiro Teles com quem tanto aprendi, o meu modesto, sincero e eterno obrigado!  

 

Antonio de Souza-Cardoso

Presidente da Causa Real

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1 - As minhas primeiras palavras, neste findar do ano de 2017, são de pesar pelas vítimas dos incêndios da nossa floresta, e para manifestar solidariedade para com os sobreviventes que viram ceifadas tantas vidas de familiares e tantos bens destruídos em seu redor.

A morte e sofrimento de tantas pessoas não pode ser em vão! Devemos felicitar os Bombeiros e as populações que heroicamente arriscaram as suas vidas neste combate desigual.
É preciso convencer os Governantes, por nós eleitos, a acabar com este estado de abandono do mundo rural, e de impunidade das pessoas e organizações criminosas.
Em muitos países os incendiários são considerados homicidas e punidos como tal.
A “república portuguesa, essa entidade abstrata que pretende fazer de Portugal um mero adjectivo”, não soube cumprir as suas funções na gestão do território.
Há muitos anos que me preocupo com a sustentabilidade do ambiente, que inclui a ecologia humana. Qualquer destes fatores não é viável sem o outro.
Quero lembrar que o arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, o criador da Reserva Agrícola Nacional e da Reserva Ecológica Nacional, tem advertido, desde há décadas, sobre esta gravíssima situação.
Ele foi o precursor da “ecologia política” em Portugal e embora as suas ideias inovadoras sejam hoje consensuais, continuam a não ser efectivamente aplicadas…
Concordam os especialistas que a causa original dos incêndios descontrolados é a má organização do território, ou pior ainda, a sua geral desorganização.
Quando um desenvolvimento sem progresso desequilibra demograficamente um País despovoando o seu interior, a tragédia é certa. Mas só é possível contrariar a desertificação do interior promovendo um espaço rural economicamente atractivo.
Temos de restaurar o interior do País com mais pessoas a cuidar do território e em particular, das florestas. Não basta o combate heróico das Corporações de Bombeiros. Temos a obrigação de agir já, com conhecimento científico e coragem política, como agiram os nossos antepassados.
Apelo às Reais Associações, pela sua implantação regional e dedicada militância, a acompanhar a implementação efectiva das reformas anunciadas pelo Governo.
Este dia do Primeiro de Dezembro que, felizmente voltou a merecer um feriado, também marcou a vida do povo português com sofrimento.
A Independência, que começou com os Conjurados em Lisboa, foi paga, na altura, com o sacrifício de vidas, sangue e lágrimas do povo ao longo de quase três décadas.

 

2 - E por isso ainda hoje nesta data, as bandas saem à rua em muitas das nossas cidades e vilas, para cantar o hino da restauração: “Portugueses, é chegado o dia da redenção. /Caem do pulso as algemas. /Ressurge livre a Nação”.
Todos os anos procuro percorrer esta nossa querida Nação, acedendo a convites de Municípios e outras entidades, às quais aqui deixo o meu público reconhecimento.
Visitei cidades e territórios em todo o país e, nomeadamente, as magníficas ilhas da Madeira e Porto Santo e dos Açores.
Queria destacar apenas duas visitas pelo seu significado de futuro.
Eu, minha mulher Isabel e os meus Filhos, em Maio peregrinamos a Fátima, no centenário das Aparições, aquando da visita do Papa Francisco, encontrando multidões de pessoas unidas no mesmo espírito. Já antes tivera a oportunidade de afirmar que, se no presente está consolidada a cultura e difusão da mensagem de Fátima, no futuro, gostaria de ver Fátima cada vez mais como um local de espiritualidade mundial.
Entre as visitas nacionais quero ainda destacar a que realizei a Tomar, a 1 de Junho, dia Mundial da Criança, para assistir ao Desfile “Tomar, Berço dos Descobrimentos”, uma iniciativa que juntou cerca de duas mil crianças provenientes de todos os estabelecimentos escolares do Concelho. Estas crianças são o nosso futuro.
Visitei S. Tomé e Príncipe, no âmbito da cooperação da Fundação Dom Manuel II com a Diocese local. Fiz o donativo de uma residência, para os estudantes provenientes de áreas remotas. Durante a visita ao senhor Presidente da República, conversamos sobre a cooperação entre São Tomé e Príncipe e Portugal.
Em Junho, visitei Banguecoque, onde fui recebido por muitos cristãos tailandeses descendentes de portugueses, na Igreja da Conceição, o mais antigo templo católico da Tailândia.
Ainda em Junho visitei Timor-Leste, a fim de dar um impulso à criação de uma revista, redigida em Língua Portuguesa, e ao lançamento de um novo programa de televisão em português, oferecido pela Fundação Padre Anchieta, do governo do Estado de S. Paulo.
Reuni-me com diversas entidades e muitos amigos, entre as quais o recém-eleito Presidente da República Dr. Francisco Guterres, Lu Olo.
Há muitos anos que me preocupo com a preservação da Língua Portuguesa e vejo que os Estados Membros da CPLP que tenho vindo a visitar, cultivam a nossa língua comum como elemento indispensável da sua unidade nacional. Esse esforço deveria ser prioritário na nossa cooperação.
Em Angola, Nação irmã que me diz muito, saúdo as medidas corajosas do presidente João Lourenço para alterar a situação em que o Governo viveu demasiadamente voltado para si mesmo e de costas viradas para o povo.

 

3 - Aquando do falecimento de meu irmão Henrique, no passado mês de Fevereiro, todos quantos o conheciam se sensibilizaram muito com a perda, nomeadamente os meus três filhos, pois ele sempre os acompanhou e apoiou.
Não queria deixar de sublinhar o exemplo de serviço e disponibilidade do meu irmão, sempre pronto para colaborar quando solicitado para uma boa causa.
Agradeço a simpatia de todos os que acompanham a vida da Família Real nas numerosas atividades que partilhamos; é uma forma das pessoas nos transmitirem que partilham as nossas expectativas de uma vida honesta e de um País melhor.
Estas são ideias simples, mas poderosas e, a meu ver, muito mais importantes que as ideologias populistas, que serão sempre um salto no desconhecido.
Quero aqui assinalar uma petição à Assembleia da República, lançada este ano, sobre alterações à «Lei das Precedências do Protocolo do Estado Português».
Esta petição já recolheu mais de dez mil assinaturas, sinal da sua grande actualidade.
Sendo eu mesmo a participar em eventos oficiais, enquanto representante dos Reis de Portugal, entenderam numerosas personalidades - entre eles deputados, presidentes de Câmara, ex-governantes e professores universitários – iniciar esta petição para que o Duque de Bragança e sua Mulher sejam incluídos na Lei do Protocolo do Estado.
Peço-vos agora que escutem estas minhas preocupações:
Antes de tudo, preocupa-me a existência dos pobres e necessitados e dos trabalhadores em dificuldade, e perante um aumento geral de riqueza, o conjunto de providências que a todos devem levar pão e alegria.
Penso, do mesmo modo, no nosso lugar no mundo e no completo resgate da civilização que Portugal tão largamente difundiu e tantos males e experiências têm ameaçado.
Estas preocupações e os sentimentos de justiça que as determinam derivam dos fundamentos morais dos princípios que sustento, da própria ética cristã que os formou, sem necessidade de outras razões.
Estas palavras não são minhas; são de meu Pai, em Mensagem ao País por ocasião do meu nascimento. Estas palavras também poderiam ser dos nossos filhos. Na sua simplicidade, representam o compromisso da Família Real com os Portugueses e com a Nação: estar sempre ao lado dos que mais necessitam, daqueles a que o Papa Francisco vem lembrar que “vivem na periferia da dor, da injustiça, da ignorância, da falta de fé, do pensamento, de todas as formas de miséria”.

 

4 - Os representantes dos Reis de Portugal poderiam ter escolhido a via seguida por muitas famílias reais exiladas: limitar-se a viver no lugar que a História lhes reservou. Mas não o fizeram. Entendo que devo seguir a minha consciência e continuar a percorrer o País e o Mundo a apregoar os aspetos positivos de Portugal, contando com a simpatia das populações e mesmo a contragosto de alguns.
A Família Real regressou a Portugal nas pessoas de meus Pais e, apesar de o Governo da época os ter deixado voltar ao seu País, acabou na prática por os «exilar cá dentro» por ver neles espíritos independentes, e até uma ameaça para o próprio regime.
A Segunda República quis apropriar-se da herança histórica dos Reis, mas esquecia que o legítimo descendente reconhecido pela população tinha ideias próprias e queria andar livremente pelo País.
Após 1975 os Portugueses conseguiram recuperar a sua liberdade política, que fora tão maltratada desde o golpe de 5 de Outubro de 1910. Mas infelizmente a falta de visão e de coragem política dos responsáveis do anterior regime, e o envolvimento das duas maiores potências dessa época, em plena guerra fria, levaram a que essa transição fosse também causa de terríveis sofrimentos, milhares de mortes e miséria em África e Timor.
Felizmente os laços afectivos que nos uniam ultrapassaram todas as crises e continuam vivos, mas essa ligação tem de ser cultivada pelas novas gerações para não terminar com o desaparecimento das gerações que ainda conviveram…
Nos tempos difíceis que agora atravessamos, de democracia ameaçada pela corrupção de alguns, e em que crescem a crise económica e a crise de solidariedade, precisamos de certezas morais e da promessa de uma sociedade decente.
Já todos perceberam que um País com uma dívida colossal não poderá ter qualquer ilusão de independência política. Por isso há que usar com prudência os recursos gerados pela nossa débil economia, e não os gastar de modo não sustentável.
A falta de solidariedade e a incerteza no futuro é maior num sistema que pode eleger populistas do que na certeza de uma Casa Real, cujo único poder resulta da identificação com a nacionalidade. Como sucedeu no 1 de Dezembro de 1640 e como poderá suceder no futuro, se todos assim quisermos!
Por isso tenho procurado ser, às minhas custas, um embaixador itinerante de Portugal no Mundo e um símbolo de um País que não vai desistir. Por isso vos convido a não desistirem de ser Portugueses!

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editado por Causa Real a 8/2/18 às 10:11

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O País vive dias de angústia difíceis de descrever. O que se passava com outros e gerava tristeza e comiseração generalizada, passa-se hoje com cada um de nós gerando, directa ou indirectamente, em cada uma das nossas casas, o medonho sentimento do medo!

Medo de nós, dos nossos que nos habituaram a tratar de quase tudo, à boa custa dos impostos, relativamente gordos, que quase todos pagamos.

Ao paternalismo exacerbado sucede-se neste tempo difícil do “passa culpas”, o salve-se quem puder! À responsabilidade colectiva sucede a responsabilidade individual e um “assobiar para o ar” que gera sentimentos de perplexidade e de solidão.

Não somos todos Portugueses, do mesmo País que arde e que sofre com cada um de nós?

Portugal arde de angústia e de medo perante o drama de, pela primeira vez, entender esta desfaçatez – das repetidas promessas de quem de tudo cuida, até ao momento  real do “lavar de mãos” quando tem mesmo de cuidar!

Perante a falência das instituições que sofrem agora mais um poderoso - porque humano e violento, golpe na sua idoneidade e no sentimento de valor que têm que transmitir aos cidadãos, o que é que ouvimos??

 

Não me compete, enquanto Presidente da Causa Real, julgar circunstâncias governativas, ou operacionais. Sequer políticas estruturais que provavelmente mereceriam um acompanhamento diferente da mais elevada magistratura da Nação que é a Presidência da República, durante sucessivos mandatos e sucessivos Governos. Que saudade da voz esclarecida de Gonçalo Ribeiro Teles, infelizmente premonitória de todo o drama que atravessa a sociedade portuguesa!

Perante uma calamidade pública como esta, agora sim, precisávamos de uma voz firme  e mobilizadora que calasse a incompetência operacional e reclamasse uma forma diferente de estar na “coisa pública”. A tal tão propalada “ética republicana” que nunca se materializou em nada e que tinha agora a pequena hipótese de se assumir como tal.

Ética, responsabilidade e sentido de Estado é que o que se exige, neste momento “Pessoano” de nevoeiro que se repete em Portugal, a todas as classes dirigentes.

A começar pelo Chefe de Estado que deveria passar da fase das selfies e do estado de graça, para acorrer à desgraça que atravessa  a alma daqueles que representa. Material  e fisicamente, claro, para aqueles que tudo perderam. Mas talvez, principalmente, para a desgraça moral de uma Nação que cada vez mais perde identidade e sentimento de pertença e de coesão.

Agora sim sentimos falta de Pai – de quem nos agregue, nos encoraje, nos estimule. De quem nos una, para além das culpas e das coisas risíveis!

O Presidente da República quer trabalho e acção.  Mas hesita em apontar caminhos e em sancionar prevaricações. Portugal e os Portugueses sofrem com esta ausência e sentem hoje bem como ela contrasta com a presença frenética em todas as festas, em todas as alegrias, em todos os sins que nos fazem elevar sorridentes o polegar!

Hoje, para todos nós, é tempo de dizer não, quando também nos recusam a óbvia responsabilidade das instituições em que nos fizeram acreditar. Quando nos dizem não à cidadania dos direitos e nos impõem, com pragmático cinismo, a cidadania das obrigações!

Hoje, como nunca, é a Nação que sangra e sofre! E o que ficará a arder por muito tempo é o coração dos portugueses, abandonados numa sorte sem abono ou protecção de ninguém. Nem dos Seus Maiores que se comprometeram, nas horas felizes, a cuidar de todos com o zelo e a responsabilidade que justificam o mérito para o exercício das mais importantes funções do Estado!

Como no tempo longínquo de Sófocles que afirmava que “quem tem medo não faz outra coisa senão sentir rumores”, precisamos da luz de uma lanterna para encontrar os Homens que faltam a Portugal!

 

Antonio de Souza-Cardoso

Presidente da Causa Real

 

P.S: Marcelo Rebelo de Sousa falou já depois de ter escrito este artigo. Tarde demais na minha modesta opinião. Gostei do humanismo, da proximidade e da afectividade do cidadão. Mas como o próprio quis separar a sua condição de cidadão da Sua condição de Chefe de Estado, achei poucochinho o que o Chefe de Estado disse. Principalmente pelo que “podia e devia dizer”. E não disse! Lembrei-me, involuntariamente de Santana e de Jorge Sampaio…

 

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O Rei como única solução para a Catalunha

por Causa Real, em 04.10.17

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Hoje apetecia-me tanto falar das eleições Autárquicas ou da efervescência política que se vive no PSD perante os seus resultados. Mas assino este artigo na única qualidade de Presidente da Causa Real. E, por isso, na força singela da frase “a César o que é de César”, reconheço que as questões ligadas aos partidos e à governação nacional ou regional, dizem respeito, exclusivamente a eles próprios.

 

A Causa Real, com militantes em todos os partidos preocupar-se-á sempre em afirmar as virtudes da instituição Real e a forma como qualificam e melhoram as claras insuficiências que nos nossos dias, transpiram dos modelos sociais e económicos em que assentam as democracias ocidentais, em particular num Mundo que é ou está, crescentemente globalizado.

Não posso, por isso, ter estados de alma sobre qualquer coisa que ultrapasse os limites e a natureza do mandato para que fui eleito.

E é este mesmo entendimento que devem ter os Chefes de Estado, vinculados que estão aos limites das suas obrigações e responsabilidades constitucionais.

 

Nos regimes parlamentares e semi-presidencialistas da maioria dos Países Europeus, ao Chefe de Estado exige-se independência na regulação dos poderes dos diferentes órgãos de soberania; garantia da coesão, identidade e independência nacionais; presença como referencial de representação externa da Nação e do Estado. Estes 3 pilares de intervenção, exigem ainda probidade, reserva, temperança e bom senso, para que nada do que não é de César seja chamado a César.

Em tese, os 3 pilares supra referidos serão sempre melhor assegurados por um Rei – que é independente porque não emerge de nenhum partido – quem pode ser árbitro no jogo em que intervém a equipe que se treinou ou onde se jogou no momento anterior? Que é o genuíno garante da coesão e da identidade nacional, porque é de todos e não passa a ser de todos depois de o cargo lhe ter sido dado por uma facção sempre minoritária que o apoiou;  e que encarna  pela representação histórica e cultural que lhe é inerente, a estabilidade, continuidade e perenidade da nação o que lhe confere uma notoriedade não desprezável nem ao nível do marketing politico internacional nem da permanente negociação exigida pela globalização. Quem conhece por exemplo o Presidente de Itália ou da Alemanha?

 

Dito isto passemos para o Rei de Espanha e observemos o espaço que deu, no estrito respeito da Constituição para que o sistema político-partidário e os Governos nacional e regional que deles emergem chegassem a um entendimento. Não foi possível! E pior do que não ter sido possível pôs em “carne viva” aquilo que de pior existe nos partidos, nas facções e organizações político partidárias: O oportunismo que manipula, o arrivismo que se favorece, a profissionalização da politica que a diminui, a promiscuidade com o poder económico que a condena, a ausência total de ética e de responsabilidade no exercício de funções públicas.

Filipe VI interveio, no momento certo. Depois de esgotadas as alternativas constitucionais, depois de ameaçada e a coesão e a independência nacional. Contra um líder oportunista que fez um referendo ilegal, minoritário e auto regulado. Houve pueblos em Girona que têm 470 habitantes e que em que o “Sim” proclama a vitória com 1002 votos??!!

Em cima desta vergonha o Rei falou do País. Da inclusão, de todos Catalães e de todos os Espanhóis que ele efectivamente representa - com a mesma responsabilidade e coragem com que deu a cara no vergonhoso atentado terrorista de que os catalães foram vitimas ainda há poucas semanas.

 

O Rei é a última esperança da Catalunha e do Reino das Espanhas enquanto Estado de Direito Democrático e Livre!

 

António de Souza-Cardoso

Presidente da Causa Real

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Cada vez mais vivemos tempos de angústia, de sobressalto e insegurança. A desagregação de uma sociedade baseada na instituição da Família e de uma organização jurídico-política, baseada em princípios de globalização que ameaçam as identidades nacionais e a independência dos Países, geraram em todo o mundo uma progressiva diluição dos valores ético-morais assentes na liberdade e na tolerância, valores que contribuíam para assegurar o equilíbrio sociocultural que presidia ao relacionamento entre os Estados e as Nações que os constituíam e legitimavam.

Aqui, tão perto, em Barcelona, ocorreu apenas mais um atentado violento da série trágica e intolerável de propagação do terrorismo no Mundo que ataca os valores da civilização ocidental e da matriz judaica cristã que a inspirou.

Não pretendo aproveitar este acto repugnante, para alertar para os perigos da destruição dos valores fundamentais que presidem à organização sociopolítica das Nações e dos Países, mas antes de homenagear aquilo que me parece evidente.

A atitude do povo espanhol que, mesmo fracturado em tantas autonomias de que a Catalunha é o exemplo maior, se uniu na dor de chorar os Seus e de defender aquilo que é verdadeiramente pertença de um sentimento comum de verdadeira ameaça à sua liberdade e identidade.

A atitude de um povo que embora dividido nas múltiplas facetas da mesma identidade, se reuniu em torno dos valores maiores que o representam. E a figura, o rosto dessa união, foi, sem nenhuma dúvida, o Rei Filipe VI. Que com o mesmo desassombro de Seu Pai quando exigiu silêncio ao ditador Hugo Chavez que ofendia violenta e desbragadamente o Povo Espanhol, disse agora em verdadeira representação dos povos da Espanha que “Nós não temos, nem teremos, medo”!

E essa para além de ser a frase certa, filha também ela do mesmo desassombro, é igualmente a única voz que poderia falar por todos, em nome de todos e, também, contra todos os que ofendem a liberdade e a identidade do povo Espanhol e da civilização Ocidental.

  Não era, não foi, uma voz ou uma frase de circunstância no corropio politico de quem se quer, apenas, mostrar. Mas, antes, a frase e a voz firme e serenas de quem sabe o que representa, de quem genuinamente sente e interpreta o sentimento de um Povo unido na injusta ameaça que fustigou a sua dignidade e segurança.

António Sardinha dizia uma frase que, julgo, resume bem este momento e esta fotografia de um Rei a representar o Seu Povo e de um Povo a unir-se em torno do Seu Rei: ” A Alma o diz, e a Alma não se engana, que ver um Rei na sua força calma, é ver a Pátria com figura humana!”

Espanha tem o privilégio, nestes tempos difíceis, de ter “a Pátria com figura humana”!

 

António de Souza-Cardoso
Presidente da Causa Real

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editado por Causa Real a 8/2/18 às 10:11

O Príncipe de todos os portugueses

por Causa Real, em 07.06.17

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No argumentário vasto do movimento monárquico consta a possibilidade, que só a Instituição Real confere, de criar uma identificação genuína entre os cidadãos e a Família Real, potenciada pela circunstância dos cidadãos verem os membros da sua Família Real crescerem, geração após geração.

Quando alguém nasce já tem um Príncipe com o qual se identificar e com quem pode crescer.

Olha-se para aquela Família e percebe-se que vivem as mesmas alegrias e anseios de qualquer famíla “comum”. Acabam por fazer parte de casa.

 

A identificação com o Rei, e com quem lhe sucederá, é absolutamnete natural e baseada num puro afecto de base familiar. A Família Real é a família de todos.

A vantagem é clara: a população ganha estima pessoal pelo seu Chefe de Estado, não tendo que recorrer a eleições para escolher o que já está escolhido desde sempre e permanentemente escrutinado pelo afecto verdadeiramente genuínio (não interesseiro, nem esporádico).

 

Este fim-de-semana, na Sé de Braga, tivemos a oportunidade de vivenciar esta familiaridade. O Príncipe da Beira, S. A. R o Senhor Dom Afonso de Santa Maria,  foi entronizado na Real Confraria de Santa Maria de Braga, criada na altura do seu Baptismo e com o único propósito de o servir, enquanto Príncipe que é um “servo dos servos”.  

A experiência de participar nesta cerimónia foi emocionante. Na verdade, quando a teoria passa à prática no plano das emoções, e tudo o que se relaciona com a Pátria está envolto em emoção, ficamos felizes e arrepiados. Ver o nosso jovem Príncipe, agora com 21 anos, assumir as suas responsabilidades na sua Confraria, transportou-nos para o dia em que foi Baptizado, 1 de Junho de 1996.

Recordo-me bem desse dia e da esperança que trouxe a todo o país. Eu, com 12 anos, senti a História renascer, o acordar de uma Nação maltratada por quase um século de três repúblicas. Esperança é dizer pouco. Esse dia foi e é fundamental para a minha crença num país que é capaz de sobreviver se souber aproveitar a sua Família Real.

Aquele momento na Sé de Braga, vivido neste 3 de Junho de 2017, fez-me sentir que de facto o Príncipe é de todos nós, porque do Berço à bravura dos 21 contou com o nosso olhar, estima, afecto e esperança. Continuará a contar.

Assim faz sentido dar a vida pela Pátria e por quem a representa com a legitimidade do afecto dos Portugueses.

 

Diogo Tomás Pereira

Membro da Comissão Executiva da Causa Real

 

 

 

 

 

 

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A Liberdade por cumprir

por Causa Real, em 25.04.17

A Liberdade não é um valor próprio ou exclusivo detido por alguma força ideológica. A Liberdade é um valor intrínseco à própria natureza humana. Somos concebidos, logo somos livres.

Porém, é forçoso reconhecer que, muitas vezes, foram homens movidos pelas suas paixões ideológicas que libertaram sociedades presas a outras realidades ideológicas castradoras da Liberdade. O perigo, que tantas vezes se repetiu, foi sujeitar os “libertados” a uma “nova” tirania.

É preciso uma abnegação extrema para fazer e depois entregar à Verdade. No 25 de Abril tivemos alguns assim, mas não todos.

 

Vivemos num clima, desde esse dia de 1974, em que é muito difícil pensar diferente e conseguir chegar mais longe ao ponto de mover os cidadãos. Existe mesmo uma ditadura do pensamento único. Quem não está dentro, é marginalizado e a vida política torna-se-lhe muito difícil.

As manifestações deste poder, que parece considerar-se revestido de uma superioridade moral, blindou-se desde cedo, mesmo em nome da “liberdade”. A verdade é que essa “liberdade” limitou as nossas escolhas e a percepção, principalmente das novas gerações, do que é a Pátria e o seu valor intemporal.

Veja-se, por exemplo, a alínea b) do artigo 288º da Constituição da República Portuguesa. Este preceito constitucional impõe a “forma republicana de governo” sempre que se fizer uma revisão constitucional. A assembleia constituinte entendeu, em nome da “liberdade”, que aos portugueses não deve ser dado o direito de escolherem o tipo de regime em que querem viver. Liberdade?

Em boa hora, um grupo de bons cidadãos levou ao Parlamento uma petição para substituir esta fórmula por “forma democrática de governo”, mas os “senhores”, impositores do pensamento único e guardiões do seu conceito de liberdade, rejeitaram a proposta, eternizando uma lei magna coxa e contrária à democracia.

 

O regime, republicano, que nos foi imposto, obriga-nos a aceitar um chefe de estado filho de um qualquer berço ideológico. Alguém que leva para a presidência uma visão do mundo que pode não ser, na maior parte das vezes não é, correspondente à essência do ser português.

O modelo escolhido para a chefia de estado, cargo que existe para servir e representar todos, não é respeitador da Liberdade, porque impõe alguém escolhido por uns poucos, com anseios ideológicos, para representar todos. Aqui ficou por cumprir Abril.

A ausência de um poder estável, hoje não temos qualquer órgão do Estado que esteja livre da instabilidade, é uma ameaça permanente à Liberdade e democracia. Não temos árbitro do jogo político, porque o árbitro é declaradamente de uma das equipas.

 

Nem todos os cargos políticos são escolhidos em eleições e isso não viola a democracia, pois a sua vitalidade, a sua sobrevivência, depende de um “lugar” que seja inviolável. Esse “lugar” é onde está cada um dos portugueses, venha de onde vier. Esse “lugar” é aquele ocupado pelo Rei dos Portugueses.

 

Abril só se cumprirá quando se sacralizar um poder estável, não ideológico, com a legitimidade histórica que lhe permita ser o guardião da Liberdade e da democracia.

 

Diogo Tomás Pereira

Membro da Comissão Executiva da Causa Real

 

 

 

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Bem vindo ao Blog daCausa Real, um contributo para discussão de um Portugal com futuro. A Causa Reall coordena, a nível nacional, o movimento monárquico, tendo como objectivo principal a promoção de uma alternativa política para Portugal.


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